terça-feira, 22 de setembro de 2009

DE LEMBRANÇAS, LAMBANÇAS E COMILANÇAS

É uma graça quando, nas escolas que visito, falo para a meninada de hoje, como foi a minha criação. As crianças e adolescentes ficam muito espantados quando digo que cresci em povoados mineiros, mais longínquos do que o Reino Tão Tão Distante e que não havia geladeira, liquidificador, telefone, correios, televisão, jornais, revistas, computador... Uma vez um adolescente arregalou os olhos e me interrompeu, perguntando como eu me divertia. Aí então, comecei a falar das cantigas-de roda, do chicotinho queimado, do passa-anel, do boca-de forno, do pular corda e ouvir histórias e lendas que nos deixavam fascinados. Na verdade, os meus primeiros 10 anos de vida foram preenchidos com acontecimentos fantásticos, como viver em vilas de dupla jurisdição, no famoso “Contestado” entre Minas e Espírito Santo, ver muitas mortes por questões familiares e desavenças políticas, as intrigas entre os picapaus e corta-goelas, ouvir causos e histórias sem fim, ver pessoas que vinham de locais ainda mais distantes, trazendo um Estandarte e seus instrumentos musicais, cantando a Folia dos Reis... Eu me julgo muito afortunada por ter morado nos locais onde morei com minha família, em Mendes Pimentel e em vilazinhas abaixo de Mantena, chamadas Boa União e Tipiti, porque vi e vivi coisas que povoam os meus sonhos e lembranças até hoje, em episódios que volta e meia, divido com meus leitores. Hoje eu me lembrei da festa que era quando precisávamos de carne. Papai costumava dizer “alegria de pobre é no dia em que mata porco”. Razão lhe assistia, pois desde o momento em que eram consumidas as últimas porções de torresmo e as latas de banha estavam vazias, era hora de olhar o capado que iria para o sacrifício e preparar o cenário. Escolhida a vítima, urgia lavar latas, amolar as facas, rachar a lenha, arear os baldes e bacias de cozinha e esperar a madrugada. Então, um corajoso ia matar o porco, a machadadas ou a punhaladas, e salto essa parte, pois eu nunca fui capaz de matar nem galinha, imagine o que eu sentia ao pensar no “assassinato”. Mas como dizia mamãe, “consciência de égua em ruma de milho, não existe”, e morto o bichinho, a farra começava. Sapecava-se a pele do porco, para eliminar os pelos, usava-se água bem quente para lavar, raspando o que ficasse com a faca amoladíssima, até a pele ficar bem limpa. Depois, uma faca amolada cortava a queixada, e puxava a língua, até chegar à barrigada. O sangue era recolhido para fazer choriço, e a seguir lavava-se o animal e se separavam as metades. A barrigada retirada era levada ao córrego, separava-se as tripas com cuidado, para não estragar o redengue, separava-se a cagaiteira e a limpeza começava. Lavava-se as tripas muito bem, elas eram esfregadas com limão e fubá, viradas pelo avesso com o “pau de virar tripa” e só voltavam quando estavam limpíssimas. Eram penduradas e preparadas, as finas, para a lingüiça, as grossas para a murcela ou murcia feita com os miúdos ou “frussuras” ou o choriço , feito com sangue.
A esta altura, o miolo era amassado , passado no ovo batido, com muito tempero e frito, após o que cada trabalhador ganhava um pouquinho, pois era exclusividade de meu pai. As orelhas e pés eram raspados e aferventados para serem cozidos no feijão, ou seriam cozidos e transformados em deliciosa geléia, que era colocada em folhas de bananeira. Se você nunca comeu geléia de pé de porco, feita pelas mãos milagrosas de D.Inês, só posso lamentar sua desdita! O trabalho central era separar as carnes nobres, cortá-las para a fritura, além das mantas de carne que recebiam tempero à base de muito alho, quitoco, pimenta e eram colocadas na fumaça, dependuradas acima do fogão de lenha, para maturar. E a lembrança do quiabo com carne de fumaça, feijão e angu me persegue até hoje, hum... Os cortadores começavam a cortar o toicinho em pedaços miúdos, que eram fritos nas tachas e panelas grandes, e logo as latas estavam cheias de gordura da melhor qualidade. As costelas eram fritas e reservadas, a carne “mucissa” cortada em pedaços que eram fritos e guardados na banha, as peles eram fritas e tinham o mesmo destino. O bucho era limpo em processo similar ao das tripas e recheado, e depois frito e servido com arroz. Fazia-se uma mini-forquillha com galho novo de laranjeira, que se adaptava à tripa que eram enchidas com carne moída ou cortada miudinho; para tirar o ar, furos eram feitos com espinhos de laranja, e toma um mundo de lingüiças também dependurada na fumaça. A gordura menos nobre era destinada ao fabrico de sabão, com mamoninha. Bom, era o dia todo trabalhando, mamãe comandava tudo, os meus irmãos e primos ajudavam no corte, as meninas ajudavam na fritura, todos nos divertíamos muito, a lambança que fazíamos comendo pele mal-passada na chapa do fogão e torresmo quente, (que mamãe fingia não ver, alertando para o inevitável piriri) era mesmo uma festa, o cheiro de carne frita nos enchia a alma de alegria por antecipação de gostosuras e nós nem sabíamos que nossa história, cheia de delícias, era “mais bonita que as histórias de Robinson Crusoé”. E nada mais digo, a não ser um agradecimento ao Criador por ter me proporcionado tantas experiências e ter me dado uma mãe com mãos que faziam milagres!
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EQUIPAMENTOS DE LINGUAGEM

( MAX MOREIRA, poeta de Cel. Fabriciano)

Abóbora d’água.
Carne de sol.
Feijão de corda.
Farinha de munho.
Manteiiga de garrafa.
Café de pedra.
Sal.
Panela de barro.
Facão Guarani.
Fumo goiano.
Canivete mundial.
Três quartos de pinga.
Carabina de ar.

Com a carga encilhada,
esporeio o cavalo de pau
E desapareço
nas colinas de veludo.
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ZOOM – Um abraço especial para professores e alunos da E.E. Salvelino Fernandes, de Santana do Paraíso. Estivemos lá na sexta-feira, trabalhando com Contaçao de Histórias. Foi uma festa só. Agradeço ás crianças e adolescentes pelo carinho e cumprimento a pedagoga Dirce de Morais, pela garra. Z Um abraço do tamanho do mundo a todos os meus amigos que me visitavam na Biblioteca onde trabalhei por 6 anos. Estou aposentada e agora me acharão em casa, ou contando histórias pelas escolas de Ipatinga e de outros municípios. Z Abraços também para o diretor da Biblioteca, Fernando Mendes da Silva e a todos os colegas de trabalho Z Agradecimentos ao vereador Jair Morais de Oliveira, de Paraíso, que veio me buscar para que eu pudesse contar histórias para as crianças da Escola Salvelino Fernandes. Z E Lula dizendo que é portador de deficiência intelectual. Deu pra perceber?.ÓOOOOOOOOOH! Z As eleições de Ipatinga vem aí, em ritmo acelerado. Vamos lá, pessoal, caprichem na escolha!Z Na programação do 4º SALÃO DO LIVRO, de 28 de setembro a 5 de outubro, oficinas interessantíssimas, lançamento de livros, palestras e a presença de Ziraldo, Bartolomeu Dias Queiróz, Affonso Romanno de Sant’Anna, e muita coisa boa mais. Não perca, tudo acontecerá no Usicultura, no Shopping. Z Um dia com gosto de cravo e canela, com pernil assado, arroz branco, couve refogadinha, feijão preto com muito alho, e doce de figo de sobremesa. Poemas de Max Moreira, músicas de Djavan e fé para rebater as rebordosas, são os meus votos. Z Au Revoir

terça-feira, 15 de setembro de 2009

UM JOGADOR FRANCÊS

José Uchoa é paraibano. Empreiteiro atuando no ramo da construção civil, já realizou muitas obras por esses brasis a fora. E sabe histórias incríveis, como a que vocês vão ler agora. Conta Zé Uchoa, que, de certa feita, ganhou a concorrência.para construir uma ponte sobre o Rio Assu, na BR 304, trecho Natal -Mossoró. Certo final de semana, a cidade de Assu "ferveu’", com a expectativa de um jogo: o time da cidade ia enfrentar o time de Natal! Muita propaganda, falatório, ansiedade e afinal chegou a hora do jogo. No pequeno estádio, gente saindo pelo ladrão, a maioria de pé, sob um solaço de 40º, aguardava o início da partida.. Todo mundo estava lá, desde as autoridades até os mais simples cidadãos. Muita morena bonita, rapazes e moças aproveitando a ocasião para um flerte, pais com os filhos se lambuzando de picolé e sorvete, todos animados com a peleja esportiva. Para participar do evento, veio um locutor da Rádio Poty de Manaus, Zecão Rabicho, que prometia uma transmissão esplendorosa! Começa o jogo. O time do Natal ataca, o time local se move. Entre os jogadores de Assu, um se destaca: é um rapagão do cabelo vermelho, o centro-avante do time. O rapaz parecia um foguete. Driblava, negaceava, marcava de cabeça, fazia roubada de bolas, carrinhos e bicicletas. O locutor conferiu o nome do jogador e caprichou na narração: - "Bola para Dirran, passou por um, passou por dois, passou por três e chutou! Sen sa-cio-nal! Há tempos eu não via um jogador com tanto talento! Seu nome é Dirran! Que coisa incrível ouvintes da rádio Poty! Nasce uma estrela, no Olimpo do Futebol! É o novo Pelé!"- A torcida vibrava, enquanto o narrador se esgoelava , fazendo biquinho, ao pronunciar o nome do jogador fenômeno, DIRRAN!
A esta altura, o técnico do time adversário escalou quatro jogadores para marcar o Fenômeno. Mas nada adiantou. Dirran se esgueirava, desviava e seguia tocando a bola. O sarará fez um gol, prontamente anulado pelo juiz, que tinha vindo de Natal. A torcida vaiou, a mãe do juiz foi elogiada de todas as maneiras possíveis. A partida continuou. No segundo tempo, Dirran continuava com o mesmo ímpeto. Até lhe rasgaram a camisa, ( o juiz fingiu não ver) mas o jogador continou a fazer suas diatribes com a bola, para gáudio dos espectadores e do locutor Zeca Rabicho, que se esgoelava, sempre caprichando no biquinho ao pronunciar o nome em francês. - "Dirran, que espetáculo, minha gente, que loucuura! É um jogador francês, dando o sangue pela camisa do Assu.! Nasceu na França, mas joga como um brasileiro! DIR- RAN!. Atenção, torcida, este nome será muito falado neste país, estamos vendo um craque completo, grande jogador Dirran! NÃO ESQUEÇAM ESTE NOME!
Apesar dos esforços do Assu, o time de Natal levou a melhor, vencendo por 3X1, com a descarada proteção do juiz. Mas a torcida, fascinada pelo desempenho daquele jogador extraordinário, ao invés de vaiar, aplaudiu em delírio. O locutor saltou para dento do campo e abordou Dirran. Ia fazer uma entrevista com o craque francês, que certamente teria repercussão no país inteiro! . Dirran parecia meio encabulado. Zeca Rabicho fez logo as perguntas: "E aí Dirran, grande jogador, você brilhou! E então, há quanto tempo está no Brasil? De que local é sua família na França?
Para surpresa do radialista, o jogador ,respondeu meio sem graça: -" Minha famia é daqui mermo, sim sinhô. Nasci no Assu de Baixo, numa roça".
Espantado, o locutor disparou: - Como, você não é francês? E qual a origem de seu nome?
- Ô xente, - respondeu timidamente o rapaz - lá na roça ês me chama de C... de Rã. Mas como na rádia fica feio, não pode falá isso, a gente então abrevia e fala só "de rã"... (Até hoje Zeca Rabicho sai no braço quando lhe pedem notícia deste jogo, hi, hi, hi!)
E nada mais digo!
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ZOOM Abraços e agradecimentos pelo acolhimento na sede do 14º BPM, quando do lançamento do livro do Coronel Klinger Sobreira, à Cabo Nelma, Major Gonçalves, o comandante, xxxxx, Capitã Marcinelli, Coronel Vitoriano, Tenente Coronel Vidomar Fontoura eCoronel Carlos Roberto e Major Jacó.. Z A jovem cantora Ana Luiza, acompanhada por Murilão, fez o maior sucesso cantando no aniversário de Pedro Neves. Essa dupla vai longe... Z Depois a gente fica com raiva quando falam que somos atrasados. Como Francisco Neto noticiou, a Câmara Municipal de Salvador, já aprovou, em primeira votação, o título de cidadão soteropolitano para Michael Jackson! Ai, pobreza! Às vezes, somos mesmo um bando de maicoljecas! Z Abraços para Maria de Fátima Carvalho e seu marido José Danilo, para a professora Maria Elisia Santos, Hugo e Luciana Perdigão, e Amílcar, o Portuga, nesta terça.Z O poeta Vilmar Silva trouxe seu espetáculo poético ao Teatro Zélia Olguin., no domingo. Com ele, os argentinos Sebastian e Laia, que deram um show na leitura depoemas. Pena que não houve muito tempo para a divulgação do espetáculo! Z Foi linda a comemoração dos 70 anos do amigo Pedro Neves, em sua fazenda em Antônio Dias. Com direito a celebração na capelinha branca do local, e muitos abraços dos amigos. Cibele não conteve as lágrimas ao ler uma homenagem ao pai. Leila, Marcos Valério e Eliane, ajudaram a dar as boas vindas a todos, com a classe de sempre. Eu amo esta família! Parabéns, Pedro! Z Os gênios da literatura infantil, Bartolomeu Campos Queirós e Ziraldo, além do poeta Affonso Romano de Sant’Ana e muita gente boa estão na programação do 4º Salão do Livro. A data é 29 de setembro a 4 de outubro, no Usicultura, e você não pode perder Z Um dia feliz, com a presença de Deus em sua vida, sorrisos e carinhos dos seus, música de Dudu Nobre, poemas de Wilmar Silva, aquela macarronada com tutu e frango caipira, suco de pitanga e muito bom humor para enfrentar a vida e o trânsito, são os meus votos.Z Au Revoir

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

CONVERSA PARA BOI DORMIR...

( ou a Gertrud é um porre!)

Ah, não. Não quero saber, não me fale, não quero ouvir, não quero pensar... Sabiá ali fora, inundando de sons a manhã de domingo e você quer que eu me preocupe com isso? Não, não dá. São apenas 8 horas da manhã, e já pensei na gripe suína, na desgraceira que acontece no Iraque e no Afeganistão, na fome da África, nos boatos de que o 13º salário foi suprimido em votação pela Câmara dos Deputados em Brasília, na merda que é a política nacional, no pré-sal e quejandos, nos discursos presidenciais, na eleição municipal que está chegando, na violência nas escolas, nas meninas que engravidam precocemente, as mortes no trânsito e ainda vem você com essa? Xô urubu, sai desatino, você quer é me enlouquecer, não é? Escute, a primavera vem aí, os sons e avisos se fazem notar, chegam com a brisa, já ouço a zoeira de risos em tardes, encontro de amigos, encontro de namorados, crianças brincando no Parque Ipanema, espuma e frescor deslizando pelas costas da gente no Parque das Cachoeiras...Arre, égua, como é que vou saber? Não sou adivinha, não sou arauto nem sibila, que conversa besta é essa? Larga do meu pé, me dá carta de alforria, me erra, me solta, me deixa! Filósofo não, tenha dó, detesto essas pessoas que empinam o nariz e dizem: -Nietzsche disse assim, disse assado-e eu com isso? Sabe como sou , uma macróbia teimosa que nem mula velha, eu não vou dar o braço a torcer, eu sou mais eu, tá pensando o que? Não me atormente mais, eu de-sis-to, vou para Pasárgada ou pro Tipiti, vou pro Olimpo procurar serviço como cozinheira de Zeus, qualquer coisa serve.Só não me amole mais, com esta história ridícula de querer saber a cor do cavalo branco de Napoleão, ou se Lula vai ler um livro algum dia! EU NÃO SEI E NÃO QUERO SABER! Vai catar coquim, Gertrud, você é a mascote mais chata que conheço! Sabiá aborrecida! ARA!
E nada mais digo! Humpf!


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PONDERAÇÕES MINEIRAS
(Nena de Castro)

Mar, não temos.
Nossas ondas são as intensas idéias
libertárias
nas quais singramos os ventos
e defendemos Palmares.
É, não temos mar...
Temos montanhas
mistérios
minérios
mineiros
nessas Minas Gerais.

Mas há um consolo:
aqui, morrer na praia,
JAMAIS!

(LIBERTAS QUAE SERA TAMEN, sempre!)
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ZOOM – Nosso amigo Pedro Neves vai comemorar os 70 anos em sua fazenda em Antonio Dias. Na organização, Leila e os filhos Eliane, Marcos Valério e Cibele. O jeito é ir lá ajudar o Pedro a "empurrar o carro" Felicidades, grande Pedro! Z Abraços para as professoras Rosimar Martins Silva, Diacomele de Freitas Santos, do Colégio Batista de Ipatinga, e Elaine Ferreira Maciel Dias, da Creche Jardim da Luz, do Bom Jardim.Z Na Igreja Católica da Vila Ipanema, no sábado passado, Glenda Mafra casou-se com Adolfo Ribeiro. A parentela veio em peso prestigiar os noivos, inclusive a vovó Aparecida Senra Almeida, de Caratinga. Votos de felicidades desta colunista e família, para o jovem casal. Z Da redação do ENEM 2009, de um aluno preocupado com o meio ambiente: "a camada de ozonel..." Ai, meu Deus do céu! Outro escreveu " Paremos e reflitemos". O jeito é rir para não chorar! Z Hoje, o Coronel Klinger Sobreira lança em Ipatinga seu livro "Um Delegado de Capturas" Agradecemos o convite envido pela Capitã Marcinelli e desejamos sucesso ao Coronel Klinger, pessoa muito estimada nessa cidade. Z Fatinha, .Z Minha amiginha Débora festejou seus 9 anos no domingo, com um almoço preparado pela mamãe Mara e o pai Luis Paulo Fernandes.. Eu fui lá abraçar a menina, que se divertiu muito ao lado dos primos e amigos. Parabéns, Débora! Z Cumpadi Nini Rezende, a respeito de sua última crônica, a Bugra Velha, irmã de Lady Zeferina, tem uma frase lapidar:"Onde abunda, nada falta... Z Muito líquido, alho e cebola na alimentação beterraba e cenoura, entre outros legumes, eis as dicas dos nutricionistas para aumentar a imunidade do corpo e fazer frente à gripe suína Z Um abraço para a Cabo Shirlene Aparecida de Azevedo, nesta quarta.Z Um dia cheio de palavras boas, bênçãos, paz, música e sorrisos.. Música deToquinho, poemas da gaúcha Angélica Freitas, aquela Vaca Atoladinha em caldo cheio de pimenta do reino e cebolinha, hum... e muita paz, são os meus votos. Z Au Revoir

terça-feira, 1 de setembro de 2009

DE GALINHAS AFANADAS E POESIA...

De certa feita, na Defensoria Pública Municipal, atendi a um senhor já idoso, muito humilde, que queria a interdição do filho que o acompanhava. O documento se fazia necessário porque o rapaz, com mais de 30 anos, era como uma criança. Embora não fosse agressivo, fugia de casa, desaparecia por longos períodos, e a família, composta pelo pai e uma irmã, passava por grandes aflições. O documento de interdição era necessário para uma série de atos da vida cível, inclusive busca de tratamento e internação. Verificadas as condições do rapaz, que quase não falava, pedi o competente laudo médico, e dei entrada no processo. No decorrer do mesmo, veio o pai aflito atrás de mim: o filho devia comparecer perante o juiz criminal, acusado por furto ocorrido em outra Comarca. Peguei a cópia do pedido de interdição e fomos para a oitiva. Meu cliente era acusado de ter forçado a porta de uma venda, e subtraído dois cigarros e meia garrafa de cachaça .Ao ler nos autos que o acusado após o "crime" se assentara na calçada da própria venda, onde a polícia o encontrou, o juiz foi tomado por compaixão. Perguntou ao rapaz porque fizera tal ato e ele respondeu que estava com vontade de fumar e de beber e como a venda estava fechada, ele "abrira". O magistrado recebeu a cópia da interdição, e teceu comentários sobre a situação do réu, dizendo que ele nada mais era que um pobre coitado, totalmente incapaz e que certamente deveria ter apanhado e sofrido maus-tratos pelo acontecido. Um mês depois, o pai me procurou em prantos, dizendo que eu parasse com o processo; em mais uma andança, o filho fora atropelado por um carro perto da ponte metálica sobre o Rio Doce e falecera. Do jeito que as coisas corriam, no processo criminal em outra cidade, era bem provável que meu cliente fosse condenado, pois neste país, todos nós sabemos como é a justiça:pobre leva tinta, enquanto tubarão nada na Cote d’Azur! Tudo isso me veio à mente ao receber de um amigo, um e-mail contendo uma sentença exarada pelo então juiz Ronaldo Tovani, que vou mostrar para vocês. A sentença foi traduzida até para o espanhol e logo entenderão a causa. O juiz já se aposentou. Deus lhe conceda longa vida! E vamos lá:

"Em 16 de novembro de 1987, o então juiz auxiliar da Comarca de Varginha (MG), Ronaldo Tovani, recebeu em seu gabinete um processo referente a delito ocorrido no termo judiciário de Carmo da Cachoeira, praticado por um rapaz apelidado de "Rolinha", acusado do furto de duas galinhas.
Para absolvê-lo, exarou a seguinte sentença, redigida em versos:
Poder JudiciárioComarca de VarginhaEstado de Minas GeraisAutos nº 3.069/87; CriminalAutora: Justiça PúblicaIndiciado: Alceu da Costa, vulgo "Rolinha"
Vistos, etc…

No dia cinco de outubro do ano ainda fluente,
em Carmo da Cachoeira
terra de boa gente,
ocorreu um fato inédito
que me deixou descontente.

O jovem Alceu da Costa,
conhecido por "Rolinha",
aproveitando a madrugada,
resolveu sair da linha,
subtraindo de outrem
duas saborosas galinhas.

Apanhando um saco plástico
que ali mesmo encontrou,
o agente muito esperto
escondeu o que furtou,
deixando o local do crime
da maneira como entrou.

O senhor Gabriel Osório,
homem de muito tato,
notando que havia sido
a vítima do grave ato,
procurou a autoridade
para relatar-lhe o fato.

Ante a notícia do crime,
a polícia diligente
tomou as dores de Osório
e formou seu contingente,
um cabo e dois soldados
e quem sabe até um tenente.

Assim é que o aparato
da Polícia Militar,
atendendo a ordem expressa
do delegado titular,
não pensou em outra coisa
senão em capturar.

E depois de algum trabalho
o larápio foi encontrado
num bar foi capturado.
Não esboçou reação,
sendo conduzido então
à frente do delegado.

Perguntado pelo furto
que havia cometido,
respondeu Alceu da Costa,
bastante extrovertido:
"Desde quando furto é crime
neste Brasil de bandidos?"

Ante tão forte argumento
calou-se o delegado,
mas por dever do seu cargo
o flagrante foi lavrado,
recolhendo à cadeia
aquele pobre coitado.

E hoje passado um mês
de ocorrida a prisão,
chega-me às mãos o inquérito
que me parte o coração.
Solto ou deixo preso
esse mísero ladrão?

Soltá-lo é decisão
que a nossa lei refuta,
pois todos sabem que a lei
é pra pobre, preto e puta…
Por isso peço a Deus
que norteie minha conduta.

É muito justa a lição
do pai destas Alterosas.
Não deve ficar na prisão
quem furtou duas penosas,
se lá também não estão presas
pessoas bem mais charmosas.

Desta forma é que concedo
a esse homem da simplória,
com base no CPP,
liberdade provisória,
para que volte para casa
e passe a viver na glória.

Se virar homem honesto
e sair dessa sua trilha,
permaneça em Cachoeira
ao lado de sua família,
devendo, se ao contrário,
mudar-se para Brasília!!!

P. R. I. e expeça-se o respectivo alvará de soltura.
Ronaldo Tovani –Juiz de Direito

Olhem a sabedoria do magistrado! E nada mais há a dizer!
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ZOOM – Abraços para Edersoni Souza, Maria Natividade Varela, Teresa Pedra, Eloer Magalhães, Divany Oliveira, Cláudio Lobato e Tânia Oliveira Terra, nesta terça. Z Outro dia, vi pela TV a um encontro entre Caetano Veloso e MV Bill, que já esteve em Ipatinga. O rapper está colocando sons de violino e saxofone em suas criações e o resultado é surpreendente. Z Abraço especial para a mestra Maria Flor de Maio, da PUC- Betim, cujo nome, deixei de citar, por engano, na última coluna. Z Sabem o que o que vai dar (ou já deu) a apuraçao da Dilma do COLINA com a secretária Lina? N-A-DA! Z Aconteceu em Salvador um mega Encontro de Contadores de Histórias, com gente do mundo todo. Não , não fui, já voltei ao serviço e além disso, o meu prezado marido vai se divorciar de mim se eu for a dois eventos no mesmo mês. Z Na crônica à Rainha Elizabeth, deixei de colocar o pedido para que ela mande comprar óculos para os agentes da Scotland Yard, afim de que enxerguem melhor e não atirem em imigrantes, como Jean Charlles, "pensando que era um terrorista"! Pois sim!Z Muito saúde e alegria para Marli e Paulo Nascimento.Z Um dia lindo e róseo, com estrelinhas douradas e chuvisco colorido, música de Caetano, poemas de Ana Cristina César, e um angu à baiana com tudo que a gente tem direito, inclusive pimenta malagueta e senso de humor pra acompanhar as politiquices do Brasil, são os meus votos.Z Au Revoir

sexta-feira, 19 de junho de 2009

RECADO DE AMOR PARA UMA CIDADE

Nena de Castro ( 28/04/2009 )
Oi, diz que me ama, que eu te levo para dar uma volta, de braços dados, por lugares lindos como o nosso amor! Diz que me ama, e eu te levo à feira do Canaã, para comprar verduras, bater um bom papo, comer pastel com caldo de cana... Diz que gosta de mim, amada, e vamos sair por aí, começaremos pelo Ipaneminha, visitando a igrejinha-museu e assistindo ao Congado. Vamos entrar na dança e bailaremos juntas, entre bandeiras, fitas coloridas e sorrisos daquele povo bom. Ah, me faz um carinho, e eu te levo ao Festival da Banana em Pedra Branca, que tal uma sopa, um licor, um doce para retemperar as energias, e depois iremos participar da cavalgada; vamos montar cavalos fortes e corajosos e cavalgar com Jair Gonçalves, José Fabrício Gomes e todos os nossos pioneiros? Certamente vou cair da sela e você vai rir e me chamar de tonta, enquanto a tarde cai, linda e perfumada... Amada, preciso ter certeza do seu amor, me diz que sou correspondida e viajarei com você pelos ventos brandos, desceremos nos antigos alojamentos do Santa Mônica, lembraremos coisas alegres e tristes e vamos ver Zélia Olguin em sua Academia, ensinando beleza e leveza de passos de balé para toda uma geração, enquanto Matias ensina lutas marciais... Diz que me ama, e te levo à Feirarte no domingo, para comer espetinho de camarão, macarrão com arroz e feijão tropeiro, jogar conversa fora e, com sorte, ver o Mistura Fina cantando Noel Rosa e Tom Jobim. Anda, amada, vem com sua saia rodada e seu cabelo de estrelas, ver o amanhecer na Tribuna, na montanha do Leão Deitado, de onde olharemos o sol e falaremos dos seus sonhos... Sim, vida minha, vamos comer as delícias do Poita e Puçá, as porções deliciosas do Bar do Jeová, na Vila Celeste, os caldos da Graça, no Caravelas, e ver de perto o povo festeiro e engajado do Festival Roda Viva, no Bom Jardim, sem esquecer a traíra desossada do Marombinha... Passeia comigo no Limoeiro, no Bethânia, no Canãa, na Vila Militar... Que tal um banho nas águas do Ribeirão Ipanema caindo em gotas cristalinas sobre nós, no Parque das Cachoeiras? Sairemos renovadas e em risos de criança peralta, vamos tomar sorvete no Veneza, comer linguiça na chapa na feira do Ipatingão, e em dia de jogo, torcer aos gritos para o Tigre, para que voltem os dias de glória! Iremos ao Bela Vista ver Yoshiko Inoue com as mãos de fada compondo Ikebanas, rir com Vera Tufic em seu restaurante no Novo Cruzeiro, e - hum! - comer aqueles quibes deliciosos... Mais tarde, vida minha, vamos passear nas lojas do Centro, vendo tudo o que mudou... No Contingente e no Vila Ipanema, vamos buscar seresta e alegria; no Ideal, veremos com os olhos da imaginação, uma apresentação da Banda Mirim da Corporação Musical Santa Cecília, em hora inspirada, sob a batuta do Maestro Oswaldo Machado, executando lindas canções. Passe comigo, amada, pela Estrada das Lavadeiras, e alcançaremos o Horto, Bom Retiro, Imbaúbas, Bairro das Águas, Cariru, Castelo, ah, quantas histórias se tem por ali! Mas não vou me esquecer de levar você ao Iguaçu, ao Cidade Nobre, ao Panorama, ao Parque das Águas, Planalto II, Morro do Escorpião, São Francisco, e ao Barra Alegre, onde tudo começou... Ah, pensou que me esqueceria da Chácara Oliveira, Chácaras Madalena, do Vale do Sol, Vista Alegre, Furquilha e Esperança? A gente vai lá, criança, ver tudo e algo mais. Diz que me ama e lhe digo que você é linda, sua grandeza sobe aos ares no torvelinho da fumaça que sai das chaminés da Usiminas, aço e raça, fogo e progresso! E no torvelinho e sonho que mistura ontem e hoje, a Maria-Fumaça chega à vilazinha e voa pelos trilhos mágicos, encontrando o progresso, ai como você é bela, menina-moça-mulher formosa, dona do meu amor para sempre! Me dê um abraço apertado, e vamos ao Parque Ipanema, rolar pela grama, tomar água de coco, encharcar a alma de beleza, ver-o-verde, a lagoa, a vida que explode em pujante beleza!Ai, amada, viaja comigo pelo seu futuro, presente e passado, num túnel do tempo mítico que subtrai as dores, acrescenta amores e compartilha alegria! Diz que me ama, e eu lhe faço um verso, lhe dou um limão-de-cheiro, um canto de sabiá, uma canção formosa, um dedo-de-prosa... Pois no seu seio me aqueço e me encontro, raio de sol, rima incontida, eu a amo, cidade querida! Feliz Aniversário, Pouso de Água Limpa, amada Ipatinga de todos nós

quinta-feira, 21 de maio de 2009

A HORTA






(Nena de Castro)

06/01/2009 -

O recém-aposentado Jaruzley Barroso da Silva, apelidado de Jaru, despediu-se dos colegas da empreiteira e começou a pensar no que fazer. Não sendo homem de ficar parado, decidiu: ia finalmente limpar parte do terreno de sua casa, cheia de mato e tralhas, e fazer uma linda horta. Seus netos iam chegar daí a algum tempo, e ele pretendia ter verdura fresca e de boa qualidade para eles. Uma parte dos dois enormes lotes herdados do pai tinha ficado desocupada. Seu pai, o velho seo Domingos, gostava de animais.Tinha criado porcos, galinhas, e até abrigado um cavalo, nos velhos tempos em que Ipatinga era só uma vila, todos se conheciam e nem cerca era necessário ter. Com o passar do tempo, o bairro se modificou, novas moradias foram construídas, vieram pessoas de longe... Aí foi necessário fazer uma cerca, pois volta e meia sumia um frango, uma galinha virava sopa, um porquinho não voltava da rua... Seo Domingos foi para o céu, Jaru herdou a casa e ali viveu, com mulher e filhos, até a aposentadoria. E agora ia dar jeito naquela parte do terreno que vivia abandonada, separada da casa por uma cerquinha tosca.Tinha primeiro que limpar o local. Levantou-se cedo, bem disposto, pegou facão, foice e enxada, e começou a trabalhar: cortaria o mato, juntaria as pedras, jogaria as tralhas acumuladas no lixo, queimaria o que fosse possível... Ah, ia ser a horta mais bonita e cheia de verduras da região. Poderia talvez até fornecer para as mercearias da cidade. Foice na mão, chapéu para se proteger do sol, iniciou a limpeza. Foi então que o problema começou.O primeiro a chegar foi Tião Ranheta, que indagou o que pretendia, porque estava limpando, se ia construir... Ajudar mesmo, não ajudou, mas deu palpites intermináveis sobre o que deveria ser plantado, e como. E avisou que viria em breve buscar vagens frescas, as “bagecas” que adorava comer refogadas. Quando finalmente Tião saiu, veio Dona Mariquinha, vestida de preto como sempre, com sua inseparável sombrinha, e falou que até que enfim Jaru tinha tomado vergonha na cara, aquele pedaço de terreno cheio de mato era um perigo, podia ter escorpião, podia esconder ladrão, podia ter mosquito da dengue...E ao saber da horta, pediu que ele não se esquecesse de plantar quiabos, adubando bem, pois toda semana ela viria colher. Seo Ladislau pediu pra plantar capiçoba. Zé Tainha solicitou um canteiro de almeirão. Dona Pequetita pediu um canteiro de ervas curativas. Lilica queria chicória. Donana Furinbundana avisou que dali a alguns meses ia casar a filha Verocinda com Zeca Timbó e precisava de muito cheiro verde; Nélrio Bastos, metido como sempre, queria escarola; José Lenine da Silva avisou ao companheiro que deveria plantar frutas que atendessem à coletividade, Chico Sarmento sugeriu uma parreira, era seu sonho desde criança e sua mulher Dandinha, usaria as folhas para fazer charuto de arroz; Rita Lina pediu um pé de maracujá, Iaiá Gomes avisou pra não colocar pesticida nos tomates, pois ela só comia coisas orgânicas; Zelão da Pinga mandou plantar boldo, Tuca Zimbão pediu pé de arruda e comigo-ninguém-pode, Giena Calamares exigiu repolho roxo, cenoura mirim e pepino grosso; Zoca Antero pediu certos afrodisíacos...O fato é que, pelo meio-dia, Jaru, suado e cansado, já estava com o respectivo cheio. Ninguém se oferecera para tirar um graveto, mas todos já estavam praticamente comendo a sua futura horta. E dando mais e mais palpites. Após o almoço, retomou o serviço. E começou a avisar a quem passava que só iria plantar pimenta, pensando que o pessoal o deixaria em paz. Errou feio. Parecia que ninguém tinha o que fazer. As sugestões começaram com seo Titino: pimenta, só podia ser malagueta. Jaru teve vontade de mandar o velho para a-pata-que-o-pôs, mas se conteve. Cerrou os dentes e, no decorrer da tarde, enquanto capinava seu quintal, ouviu palpites e pedidos de que plantasse pimenta dedo-de-moça, barba de bode, do reino, síria, rosa, calabresa, cumari, caiena...Mas a coisa desandou mesmo foi com a visita do ‘capo’ Zicão da Baixada, que chegou devagar, a camisa aberta no peito, exibindo um cordão grosso de ouro, olhou para um lado e outro, e começou a propor sociedade a Jaru num certo tipo de plantas que deveriam ficar no meio das verduras, em canteiros especiais. Ele forneceria as mudas, custearia o muro bem alto, colocaria cães bravos no local, deixaria um homem para afastar os curiosos... Era lucro certo e o dono do terreno teria uma boa porcentagem. Para finalizar a história, a vizinhança não entendeu nada quando, no dia seguinte, encontrou Jaru cimentando o pedaço de terra. E nosso herói, quando ouve alguém falar de horta, disfarça e muda de assunto, falando da má fase do Ipatinga FC. Que há de passar, se Deus quiser.

GOURMANDIZES

(Nena de Castro)

Os ricos comem caviar,
Crepe Suzzete e lagostim
com champagne.
Contudo, nunca provaram
o ensopado de inhame
feito pela mui digna D. Inês,
que vem a ser
a senhora minha mãe.

caldinho fumegante ,
cheirando a cebolinha
e pimenta do reino,
misturado ao arroz e feijão
cozidos em banha de porco
na panela de ferro
no fogão a lenha.
Hum...

Grande chef de cuisine,
Sabedora das mineirices culinárias
cujos sabores e mistérios
se escondem
no santuário
das montanhas de Minas,
mamãe cozinhava e nos enlevava.
Tempo bom!

Quanto aos ricos, bem,
Eles têm chefs franceses
salmon, salada Waldorf,
mas o caldo de inhame
feito por mamãe,
ascendia aos céus
e nos sustentava o corpo e a alma...

Pobres ricos!
tenho tanta pena,
que nem vou falar
no mingau de fubá
com couve rasgada,
na pamonha temperada
com pimenta malagueta
cozida na folha de banana,
e na galinha recheada pelo fiofó,
costurada bem cheinha
de farofa de miúdos,
que eles nunca haverão de provar,
ò dó!