terça-feira, 17 de novembro de 2009

LINDOS TRÓPICOS...

Nena de Castro
17/11/2009 -
Domingo quente, piscinas de água morna, verde de ardor, suspiros de verão... Será a primavera, etérea e eterna dos trópicos, que torna estes dias tão bonitos? Aqui as estações se mesclam numa perene quentura tropical. O revoar de aves que cortam o espaço nos faz olhar para o azul celeste, celestial promessa de claridade e luz! Tal azul se desdobra em tons maravilhosos de beleza e encantamento. Nosso olhar se perde entre os mistérios do verde que cerca o local. Guacho faz festa no bambuzal, balançando ao vento. Um homem corre na pista de atletismo, o suor brilhando na pele negra, sol e sal. No outro lado da mesma pista, siriema reina, não me dá a mínima atenção, quem sou eu afinal, para perturbar seu descanso? Lá em cima, no Zoo, animais descansam em seus refúgios, cada qual observando a tarde dourada sob o sol. Embaixo, gansos e capivaras dão um mergulho na água barrenta, para aliviar o calor e sonham: os gansos, com histórias infantis e as capivaras, com os brejos das florestas... Redes, churrasco, brinquedos para crianças (que doce lembrança a de meus filhos, descendo pelo escorregador, nas manhãs e tardes translúcidas de sua infância). Os indefectíveis sabiás (benditos sejam) voam e revoam e cantam, sinto esperança brotando no coração. Quero-quero enfeita o campo de futebol, beija-flor enfeita o espaço e tremeluz em sua beleza. Mangueiras, pés de cajá-manga, árvores floridas, estádio, piscinas, competições, sonhos de atletas, criancinhas aprendendo a nadar, o judô educando os jovens... Deitar na grama verde e admirar mais uma vez a linda e perfeita obra de um Perfeito Criador, que o homem ali, ajuda a cuidar! Picolé, sorvete, lojinha, crianças rindo, menino chorando, a bola voa sobre nossas cabeças e cai além, alguém vai atrás. Água, suco, refrigerante, chapéu, boné, biquini, protetor solar, - vai, escorrega na língua do sapo, menininha, que mamãe te vigia com olhos de amor!Beleza de domingo de luz e alegria, cores e magia, os homens se encontram e são felizes, os animais se aquietam, jacaré cochila, cobra se desenrola, onça rosna baixinho... A Usipa conta de glórias e conquistas e aprendizagem e lutas. Sensei Raimundo descansa em paz, em honrosas lembranças...E a tarde cai, mansa e quente e linda, como em todos os verões ipatinguenses. E eu, glorioso Quero-Quero, relaxo e aproveito, para voar sem ter asas, imaginação a mil, pegando carona no voo do beija-flor. Eu quero é mais! E nada há a acrescentar...
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POESIA SEMPRE

MODINHA
Cecília Meireles
Tuas palavras antigas
deixei-as todas, deixei-as,
junto com as minhas cantigas,
desenhadas nas areias.

Tanto sóis e tantas luas
brilharam sobre essas linhas,
das cantigas – que eram tuas
-das palavras – que eram minhas!

O mar, de língua sonora,
Sabe o presente e o passado,
Canta o que é meu, vai-se embora:
Que o resto é pouco e apagado.

ZOOM- Abraços para José Carlos e Graça Frinhani, Cláudio Lobato, Wanda Galinari e todas as meninas que trabalham no Salão da Vera, no Horto. Rubão (meu amigo Rubem Leite) puxa vida, o poema que você escreveu pra me homenagear pelo meu aniversário ficou ma-ra-vi-lho-so! Obrigada, poeta! - Quer saber por que ninguém gosta dos estadunidenses, ou americanos, como gostam de ser chamados? É por causa da presunção e arrogância! Por todo o mundo eles ouvem YANKEES GO HOME! E não tomam jeito! - Iniciando seus trabalhos como estagiária junto à Vara da Fazenda Pública de Ipatinga, a aluna do 4º Período de Direito, da Faculdade Pitágoras, Poliany Costa Miranda. Ela tem sido orientada por Andéa Giacomini e está se dedicando com afinco. Vai ser uma grande profissional, com certeza. - Um abraço para Fred Franco, sua esposa Kátia e a linda filhinha Eduarda. - O Contador de Histórias, Celso Sisto, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, publicou artigo interessante, no sábado, no jornal Folha de São Paulo, abordando a cultura africana. - Ai, espero que as eleições em Ipatinga aconteçam antes do meu passamento! Que coisa kafkiana, esta indecisão! - Um dia cheio de flores, estrelas e amores, belas canções , cheiro de chuva de verão em tardes amenas, ao som de Alcione e versos de Cacaso. Pirão de carne-de-sol, com arroz branquinho, angu e almeirão refogadinho com muito alho. Um licorzinho de jabuticaba para animar e muita fé, para seguir, são os meus votos. Z AuRevoir

terça-feira, 10 de novembro de 2009

GERTRUD RECEBE VISITA...

10/11/2009 -
Foi assim que aconteceu: eu estava me levantando, dando graças ao Criador por não estar sentindo dores fortes. O sol brilhava, prenúncio de dia calorento. Gertrud cantava, pousada em um galho do pé de Escumilha, saudando a beleza do Universo que Deus fez, quando a Edwiges chegou. Como, você já está rindo e, com a lógica dos descrentes, diz que sabiá-fêmea não canta? Quequié isso, audácia, olha aqui, a Gertrud canta, sim! A sabiá é minha, e se digo que canta, é porque o faz! (Puxa, essa frase saiu ao Jânio Quadros, no famoso “fi-lo, porque qui-lo”)Mas tocando minha velha bicicleta, eu dizia que a Edwiges chegou. Cansada, suada, pousou junto da Gertrud e começou a conversar. Edwiges é a coruja do Harry Potter, que vive na Inglaterra e estuda em Hogwarts, e Gertrud quis saber o que ela fazia por aqui.- Missão secreta, respondeu a coruja. Nada posso dizer. Como faz calor! Não admira que todos tenham o miolo mole abaixo da linha do Equador!-Miolo mole é o escambau! Preconceituosa! Até tu, Edwiges? Pelo menos não atiramos em emigrantes no metrô, nem enviamos contêineres de lixo para outros países! Colonialista! Sem essa, aqui é o patropi, deixe de pose!- Desculpe, disse a coruja. Não quis ser indelicada. Daqui a pouco volto pra Inglaterra, só estou descansando. Para me redimir, vou contar o que sei da última visita do Lula ao meu país.- Já sei de tudo, disparou Gertrud, impaciente. Eu leio revistas e jornais!- Não, você sabe o que quiseram que soubesse. No mundo da política internacional, nem tudo pode ser falado e divulgado, pois o menor descuido pode provocar um incidente grave.- Ah, é, e o que aconteceu?- Bem, suspirou a coruja, mudando de posição. O seu presidente chegou, eu estava no telhado e vi tudo. Antes de entrar no salão de festas do Palácio de Buckingham, ele repetiu as instruções do cerimonial. Não tocar na rainha, não andar na frente dela, não fazer barulho após beber, não deixar o dedinho esticar quando pegar o copo ou xícara, não mencionar assuntos espinhosos, enfim, ser encantador...- Ele, o Mr. Lula, já estivera antes com a rainha, mas d. Marisa estava junto, para dar uma força. Agora, seria ele e só ele para o encontro e, se desse alguma mancada, os ingleses ficariam aborrecidos e a imprensa cairia de pau. Ele foi conduzido até sua Sereníssima Majestade. Cumprimentos, sorrisos, fotos. O seu presidente suava, no esforço de parecer natural, Nossa Sereníssima Majestade estava linda e bem composta, naturalmente, uma dama, uma verdadeira rainha, suspirou Edwiges.Sei, - fuzilou Gertrud. (Ela é antimonarquista e antitudo do Primeiro Mundo) - e daí?Bem, tudo correu razoavelmente, até a hora da despedida.Aí, Mr. Lula, animado por uns cálices de brandy a mais, resolveu fazer uma despedida em grande estilo. Ao beijar a mão de sua majestade achou por bem fazer umas sugestões. Olhou para ela e falou: - ó Dona Elizabeth, sabe que a senhora é uma coroa muito simpática? Vou lhe dizer umas medidas que vou tomar a fim de resolver os problemas do mundo: a questão da emissão de CO2, será tratada com o arrolhamento das vaquinhas do Brasil, para que não poluam a atmosfera com seus gases.Na próxima reunião do G-20, levo uma rodada de cachaça AMANSA O RABO DO TATU, puríssima, para servir aos gringos, e só vai sair decisão boa! E para acalmar os ânimos, entre Israel e Palestina, durante as discussões na ONU, mando uma ala da Portela, com a bateria e as mulatas e não haverá representante que resista. Só falta eu encontrar um jeito de tirar o Zelaya da embaixada brasileira em Honduras, mas isso eu vou perguntar ao companheiro Chávez, que anda até falando em guerra, ele é meio esquentadinho, mas a gente tolera, né?Edwiges fez uma pausa, abriu as asas para tomar um arzinho e resmungou: Sua Majestade ouvia a tradução, sem perder a classe, com aquela compostura, até que o Mr. Lula falou:- Betinha, tô lhe observando, a senhora é uma coroa pra lá de arretada! Ainda dá um caldo e tanto. Só que está um pouco pálida, precisa tomar um chá de capiçoba roxa, que é tiro e queda pra esses males! E se o Philiph, seu marido, só estiver pegando no tranco, mando uma raiz de catuaba curada na pinga, que levanta qualquer defunto!- A reunião foi encerrada na hora, que desaforo, que despautério! Só que abafaram tudo! Aqui, você tá rindo de quê, Gertrud? Quer saber o que mais? Vou andando, ou melhor, voando. De repente, um doido aí resolve fazer churrasco de coruja, e eu danço! Adeus! Até nunca mais! Ah, pelo menos nisso os franceses tem razão: vocês são mesmo os selvagens aqui de baixo! E Edwiges deu no pé, ou melhor, nas asas, enquanto Gertrud quase caiu da árvore de tanto rir! ( E nada mais digo, pois tenho que fazer almoço pras minhas crianças. Tenham um bom dia, leitores do Diário do Aço! Afe!)



PRÊMIO MERECIDO
Os poetas Aldravistas de Mariana receberam, do ministro da Cultura, Juca Ferreira, o prêmio Viva Leitura 2009. A solenidade aconteceu em São Paulo, e a premiação foi devido ao Projeto “Poesia Viva - a Poesia bate à sua porta”, realizado por eles em diversos municípios, com sucesso. Na pessoa de Déia Leal, parabenizo nossos amigos e parceiros de Mariana pela façanha! Vocês merecem isso e toda a repercussão alcançada, com entrevistas nas emissoras de rádio e TV do país!

ZOOM- Comendo o delicioso doce de figo feito por dona Inês, passei meu aniversário junto aos meus queridos. Deus seja louvado, Marlene está bem melhor, Mary Palito engordou três quilos e conseguiu chegar aos 43 de peso e mamãe está lúcida e ativa, aos 90 anos! - Agradeço a todos os amigos que telefonaram, enviaram cartões, e-mails, flores e lembranças pelo meu aniversário. - Ó xente, e esse país não toma jeito! Expulsaram a mocinha do minivestido da faculdade! E para a corrupção, não vai nada? - Pois é, no dia 2, fui com dona Inês visitar o túmulo do sr. João Vieira, no cemitério de Santo Antônio, em Valadares. - Abraços para Graça Souza, Osilanda Pereira, Beto Souto e Célia, Rubem Leite. - Lindo o outdoor da Fadipa com a foto da poeta Chames, sua filha Cherrine e a neta Clarice. - Um abraço afetuoso para o ambientalista Gilson Essenfelder, de Valadares. - Ih, a jiripoca piou... Abraços e beijos para meus sobrinhos Luís e Marinês. - Geazi, não some não, dê notícias! - Abraços para Edersoni Souza, Teresa Pedra e seu filho Walter. - Agradecemos ao 14º BPM pelo convite para formatura dos novos soldados.- Quer dizer que Madonna vem ao Brasil pedir ajuda para suas obras de caridade? Sei! - Devagarinho, vou vencendo as crises de dor causadas pelas ites e oses da vida, e retomo minhas atividades. - Neuza Rodrigues brilhou mais uma vez com a festa de eleição da Garota Neuza Produções. Parabéns. - Um dia feliz, com nuvens de algodão doce e montanhas de brigadeiro, picolés de jabuticaba e sorrisos de crianças, broa de fubá com café coado na hora, versos de Cida Pinho, som de Nando Reis, e muito otimismo para vencer os barrancos e buracos, são os meus votos. Au revoir.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

DELÍRIOS POÉTICOS

27/10/2009 -
Manhã luminosa de outubro, que se abre ao sol com um sorriso.Antecipação de noite estrelada, de brisa perfumada, de sons... Vejo flores, estrelas e conchas no teu sorriso, e no canto do bem-te-vi, ouço as bem-aventuranças da Natureza... Saboreio o instante como quem morde manga madura e cheirosa, sumos e caldos encharcando o corpo. A canção linda ressoa em meus ouvidos, murmúrios ao éter construindo castelos e jardins suspensos nas nuvens azuis. Pétalas vermelhas voam desses locais secretos e doces, onde pássaros, em trinados, saúdam o AMOR! Grilos camuflados em esperanças, traçam círculos pelos ares e as mágicas aranhas tecem suas rendas de seda. No reverso do meu verso, traço ecos, a linguagem se transmuda, a forma é bela, vulto de colibri ou borboleta ao sol. Folhas secas, saltitantes esquilos de profundos olhos brilhantes, águas saltitantes caindo em arco, vapor ou poeira de fios brancos e perolados, o cristal brilha.As águas cantam e as palavras são frechas certeiras ao além onde repousam a lua, a poeta, e a felicidade... Manhã luminosa de outubro, de cantos e ventos e sons de esperança, eu quero crer e creio! A tarde virá, e cantaremos juntos, em rodopios infantis, como crianças brincando nos montes, entre os girassóis. E nossa ciranda será ouvida pelo mundo inteiro...
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GRACINHA DE PRESENTE


Um menino foi ao Salão do Livro, e viu Mariana Catibiribana. Pediu à mãe que fosse com ele comprar um exemplar, e ficou muito surpreso quando ela lhe disse que me conhecia e que havíamos cursado Direito juntas. Então, ele pediu à mãe que me convidasse para ir à sua casa, autografar o livro, porque eu estava doente, e ele não me conheceu no Salão. Eu fui, e encontrei sua professora, Elaine Reis de Morais, a tia Elaine da escola Educare e um monte de colegas do menino, assim como alguns pais. O menininho é filho de Luciana Marília Perdigão e Vieira, e do odontólogo Hugo, e é também neto da minha querida amiga Delmanaide. Foi uma tarde linda. Contei histórias, falei sobre meu livro, autografei, deixei recados nos cartões literários das crianças... Era aniversário de vovó Lucinda, e teve bolo de chocolate. Mas quem ganhou o presente fui eu, embalada por tanto carinho e interesse das crianças, Felipe Campelo Penna, Hugo Komatsuzaki de Alvarenga, Arthur Tavares Chamonge, Bárbara Barros, Samira Khouri Reis, Hudson Veiga de Carvalho, Laís Oliveira de Morais, e seu irmão Gabriel, Anabelle Nogueira Campelo, Clara Palhares. Huguinho, você e a pequena Melissa me deram o presente de aniversário mais valioso que uma pessoa pode receber: carinho e amizade.Obrigada por tudo. Eu amei!

A CASA DIVERSA(Pedro Du Bois)

A casa permanece
na memória
dos personagens!
que vêm e vão

o tempo é exato
em seus atrasos
a casa estabelece
suas bases
e os personagens
vêm e vão

o tempo é estanque
em seus abraços
a casa revalida
os contatos
em que os personagens
vêm e vão.

ZOOM- Abraços para todo o pessoal do Fórum, que revi nesta sexta. Iris, Eloer, Ana Maria, Clemência, Igor, Ivonete, Socorro Vilarinho, Kelly, Sílvia Lacerda e o juiz Fábio Torres.- Abraços também para Jesinho Nascimento, Ângela Palhares e a pequena Clara, que tem olhos lindos e também para Naile Perdigão. - Lula, por favor, não inclua Jesus em suas declarações estapafúrdias, ai! - Que tristeza os violentos episódios no Rio de Janeiro! Mas aquele dos policiais, negando socorro a um homem agonizando, e guardando a jaqueta e par de tênis do assalto, foi de doer a alma, o coração e tudo o mais! Socorrooo! - Parabéns ao advogado Mauro Lúcio dos Santos e à família do mecânico Airton José da Silva, pela vitória! Gente, o cacique Raoni, clamando sobre os problemas do aquecimento global, cujas consequências estão se manifestando em todo o mundo, é um dado preocupante. E a culpa é toda nossa, afe! - Meus agradecimentos a Luciana Perdigão e Vieira pela carta–convite que fez aos colegas de Huguinho, e pelas flores. Gente fina faz a diferença, sem dúvida. - Vem aí um filme sobre Chacrinha, o maior animador que a televisão já conheceu. - Sorria e o mundo sorrirá com você. Chore e chorará sozinho (a). - Um dia feliz, feliz, com motivação e paciência infinda, para se sobreviver nesta selva, som do Skank, poemas de Augusto de Campos, arroz branco com frango caipira no caldo, com muita cebolinha e pimenta do reino, um angu básico para acompanhar, e muitos sorrisos dos seus amados, são os meus votos. Au revoir.


quinta-feira, 22 de outubro de 2009

OS CONTOS DE FADAS NOS DIAS DE HOJE...

Outro dia, uma senhora com a qual conversei, ficou muito espantada quando lhe falei que conto histórias e que tenho uma lista de escolas e creches à espera de uma vaga. Ela achava que, hoje, as crianças só se interessavam por celulares, computador e jogos eletrônicos e ficou agradavelmente surpresa com a notícia. Pois é, a Tradição Oral nunca morreu, continua cada vez mais viva. Os professores antenados sabem do valor das histórias para as crianças e buscam sempre mais livros, mais histórias, mais contadores. É uma experiência ímpar, encontrar as crianças e começar a narrativa. Ainda que sejam levadas, e às vezes fiquem um pouco dispersas, dependendo da faixa etária, daí a pouco, todas se rendem e acompanham a história. Ficam atentas, com os olhos fixos no narrador ou narradora, acompanhando cada palavra que é dita pela encantadora de palavras, que vai conduzindo o fio narrativo através das peripécias dos bons e maus. Há uma mágica de encantamento entre quem ouve e quem conta. Os gestos e sons pontuam os momentos marcantes, e a criançada se perde e se acha pelo entretecer das histórias que lhes contam das lutas, dos ganhos e perdas, derrotas e vitórias acontecidas durante a nossa existência... Catarse total, suspiro de alívio, pena, raiva, indignação, sorrisos. Isto e muito mais tenho vivenciado nas visitas que faço às escolas, contando Histórias. Uma história bem narrada, mesmo tendo um tema central, nunca será igual, alguma coisa nova é acrescentada e aí está a arte do narrador, ele reveste a história de encantamento e poesia, e faz com que as pessoas pensem, à medida em que se resolvem os conflitos. Pois as histórias trabalham justamente a vida, pontuando problemas e sofrimentos e apontando a solução, através do enfrentamento, através da busca de solução. E assim, divertem e ensinam as pessoas a pensar, sempre que se ouve uma narrativa, toda uma gama de sentimentos aflora. A criança quer saber tudo sobre o processo do nascimento até a morte, da vida em geral e da sua, em particular. As histórias trabalham justamente isso, pontuando problemas e sofrimentos e apontando a solução, através do enfrentamento. É a síntese da própria vida, pois desde o nascimento até o findar da existência, não fazemos mais que lidar pela sobrevivência, em resolver enigmas e problemas, em lidar com perdas e ganhos na jornada. Por aí se vê a causa de as histórias terem atravessado milênios e se mantido vivas. Você sabia que há registros de que o conto Cinderela já era contado na China, no século IX a.C?E chegou aos nossos dias, perpetuado há milênios, atravessando as geografias, provando a força e a perenidade do folclore dos povos. Sua longevidade se mostra através do envolvimento no maravilhoso, um universo que traz à tona a fantasia, partindo sempre de uma situação real, concreta, lidando com emoções que qualquer criança já viveu e vive. Há um conflito que precisa ser resolvido, através da fantasia, do imaginário, com intervenção de entidades fantásticas... A professora Vera Teixeira de Aguiar explica que os contos de fada mantêm uma estrutura fixa, e partem de um problema vinculado à realidade (como estado de penúria, carência afetiva, conflito entre mãe e filho), que desequilibra a tranquilidade inicial. O desenvolvimento é uma busca de soluções, no plano da fantasia, com a introdução de elementos mágicos (fadas, bruxas, anões, duendes, gigantes, etc.) a restauração da ordem acontece no desfecho da narrativa, quando há uma volta ao real. Valendo-se dessa estrutura, os autores, de um lado, demonstram que aceitam o potencial imaginativo infantil e, de outro, transmitem à criança a idéia de que ela não pode viver indefinidamente no mundo da fantasia, sendo necessário assumir o real, no momento certo. E para as pessoas que acham que histórias para crianças não tem importância, digo que todos gostam delas, pois os contos de fadas falam de medos, de amor, da dificuldade de ser criança, de carências, de autodescobertas, de perdas e buscas. Por lidar com conteúdos da sabedoria popular, com conteúdos essenciais da condição humana, é que esses contos de fadas são importantes, perpetuando-se até nossos dias... E nada mais digo hoje, porque o assunto é fascinante e voltaremos a ele. Que as fadas iluminem o seu dia!ADOÇANDO O DODÓINo dia 15, a convite da estagiária de Enfermagem do Unileste, Cristiane Mendes, fomos ao Setor de Pediatria do Hospital Municipal. A Turma de Cristiane, formada por alunos do 8º Período de Enfermagem Vespertino, estava lá, toda animada, todo mundo fantasiado, com brincadeiras e presentes para a meninada. Foi muito bonito, eles cantaram, pintaram o rosto das crianças, usaram fantoches para ensinar o valor da higiene corporal, e eu contei histórias de bichos, li Mariana Catibiribana, e foi muito bom ver as crianças, mesmo no soro, sorrindo com nossas brincadeiras! Parabéns aos alunos Anderson do Amaral, Felipe Ruas, Felipe Teixeira, Fernanda Lima, Emilyane Ribeiro, Geniane Lopes, Graziela Franco, Patrícia Mendes, Talita Corrêa, Juliana Cordeiro, Gabriela Pedrosa, Thaís Cândida, Rosemeire Anício, e ainda a estagirária do 6º período de Psicologia, Mayra Costa. Parabéns aos alunos e aos professores Ricardo Cobucci e Elizabeth Duarte. Agradecimentos especiais para Cristiane Mendes, que me procurou para participar do evento. Merci.ZOOM- A querida jornalista Maria Rita Valentim Rosado curte a espera da primeira filha, ao lado do marido Antônio Marcos. Cumprimentos ao casal. - Abraços para Marília Machado, diretora do Hospital Municipal. - Gente, a coisa está feíssima no Rio de Janeiro. Lembram quando do anúncio da realização das Olimpíadas, eu escrevi sobre não varrer a sujeira, isto é, os problemas daquela linda e infeliz cidade para debaixo do tapete? O caldo está entornando, valha-nos Deus, porque as autoridades, eu não sei se valerão! - Eu, hein, inda-qui-mal-o prigunte, o que o presidente do Irã tem a nos ensinar? - Pouco a pouco a paisagem vai sendo modificada no Imbaúbas. Prédios substituem as casas. Dizem que é o progresso. Que pena... Como disse Caetano, “é a força da grana que ergue e destrói coisas belas.” Aí vem mais gente, mas e quanto à infraestrutura? Que bom seria se a lei proibindo a verticalização em bairros históricos não tivesse sido só um sonho... - Minha branquinha Larissa começando atividades profissionais na área de Nutrição, na região. Boa sorte, filhota! - Gente, é brincadeira o tratamento de certas firmas quando se quer cancelar um cartão de crédito. O dia que tiver paciência, conto pra vocês o papo-aranha de um atendente em São Paulo. Falei poucas e boas com ele! Desabusado! Claro que é a política da empresa, mas dai-nos paciência, Senhor! As leis neste país... brincadeira! - Por falar em leis, achei muito desrespeitosa a expressão “corno solene” usada por um juiz no Rio de Janeiro, referindo-se ao autor de uma ação contra o amante da mulher! Ora, cabe ao juiz deferir ou não, mas daí a abusar... - Abraços para o Grupo Farroupilha, para o dentista Marco Aurélio Tancredo e Clara Mirtes nesta terça-feira. - Um dia cheio de cores, música e felicidade. Som de Vanessa da Mata, poemas mineiros de Drummond, suco de carambola, frango frito com arroz branco e tutu molinho, couve picadinha, cebolinha e salsa, e aquela pimenta malagueta. Além disso, amor e paz, são os meus votos. Au revoir.

(20/10/S2009)

terça-feira, 13 de outubro de 2009

O AZAR DO PRINCIPIANTE

Zeadão era até um rapaz bem apessoado. Mas desde menino tinha um defeito: era sempre o sabe-tudo, era ele quem sempre dava a palavra final em qualquer assunto. Se alguém iniciava um papo, Zeadão entrava no meio, falando, ensinando, monopolizando as atenções. Não teria problema, se as suas opiniões fossem estribadas em conhecimento. Mas ocorria que , desde que aprendera a falar, descobrira que precisava de auditório, tinha necessidade de alardear seus feitos e através de palavras escolhidas, levava a verdade para onde queria, em manipulação desavergonhada. Seria o caso de fazer carreira na política nacional, quem sabe, chegar ao Senado, mas morando em uma pequena cidade, o máximo que conseguiu foi afastar de si algumas pessoas, que enxergavam nele o que era: fraco, mentiroso e fanfarrão. O rapaz até arranjava namorada, mas a moça logo se cansava de ouvir lorotas e passar vergonha na festas, onde o nosso herói ensinava de tudo, desde conserto de carros, (embora não tivesse um) à melhor maneira de espremer furúnculo e como proceder para caçar tatu e viado... Bom, um belo dia, Zeadão decidiu que ia ser fotógrafo. Era a profissão ideal, pois seria visto por todos, estaria em todas as festas e ganharia uns caraminguás para as despesas. Zeadão arranjou uma Kodak antiga e começou a fotografar as pessoas, as paisagens, os animais. Continuava um chato de galochas, mas as pessoas se conformavam, pelo menos enquanto fotografava, estava ocupado, o que livrava os ouvidos alheios de explicações sobre como os astronautas se livravam de dejetos no espaço ou como o alpinista se sentia ao escalar o Himalaia. Pois é, depois de um certo tempo, o rapaz conseguiu realizar o sonho de adquirir uma máquina fotográfica profissional. E treinava, esperando ansiosamente o momento de cobrir uma solenidade, uma festa, e inaugurar uma carreira promissora de fotógrafo que talvez fosse até para o exterior, fotografar as estrelas de Hollywood! E o Zeadão, em seus delírios megalomaníacos, sonhava com a glória e a fama, embora ainda não tivesse cliente nem para foto três por quatro. Mas aí, a roda do destino girou e tudo parecia sorrir para Zeadão: haveria um casamento na cidade vizinha, era a filha do prefeito que ia contrair núpcias, o fotógrafo adoecera e alguém se lembrara do nosso herói. Feliz da vida, Zeadão se vestiu com apuro, calça jeans nova, camisa xadrez, sapatos engraxados e foi à luta. Chegou á igreja e se colocou orgulhosamente na entrada, para fotografar a chegada do noivo, da noiva, dos convidados... Aí sentiu a primeira pontada na barriga. Ah, não que coisa, não podia se afastar dali, ou perderia os lances do seu primeiro trabalho. Bem que sua mãe lhe dissera para não tomar aquele caldo de mocotó quente e gorduroso, mas ele teimara. A dor na barriga aumentou. O fotógrafo suava. Rindo amarelo, começou a fotografar, o noivo entrava na igreja, a noiva chegava no Ford do pai, todos vestidos com aprumo. Tinha que ir ao banheiro, mas não queria perder nada do seu primeiro trabalho. Decidiu fotografar a entrada da noiva, e depois procurar um local para se aliviar.
E aí aconteceu: a coisa desceu de vez, e ele sem-graça, percebeu que havia sujado as calças. Apavorado, com medo de que as pessoas percebessem, saiu pela porta lateral e foi para o fundo da igreja. Alcançou a sacristia, e procurou o banheiro. Descobriu que estava trancado. Desesperado, procurou um pano para se limpar. Aí avistou a alva, aquela veste branca que o padre usa para celebrações. Arrancou a veste do cabide e enfiou-a na parte traseira da calça, limpando como podia, freneticamente, pois a celebração já havia começado. Atirou a peça atrás da porta e voltou à igreja, reiniciando o trabalho. As pessoas viravam a cabeça, incomodadas pelo cheiro horrível. Tentando não chegar muito perto, Zeadão tirou mais fotos até a saída da noiva e ao invés de ir para a festa, sumiu no mapa. Dizem que foi para o Rio de Janeiro e se juntou a um circo. Se parou de contar vantagens, eu não sei. Mas nunca mais tomou caldo de mocotó quente. Em se tratando de trabalho, sabe que é perigoso, muito perigoso... E nada mais digo.

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plenilúnio
( Gabriel Bicalho)
pelos becos
gatos catam
migalhas
de estrelas

prateadas sombras
se locomovem
no solene silêncio
da pobreza nas ruas

marquise estreita:
alguém se deita
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ZOOM -Então é no Rio de Janeiro, onde a população de menor poder aquisitivo pena com a violência e a falta de transporte decente, que vai acontecer a Olimpíada? Sei... Z Abraços para Nilmar Lage, Jaque Gabriel, Tom e sua mãe Isabel, Z Gente, palavrão em livro dIdático é coisa inadmissível! Que irresponsabilidade da parte de quem indicou tais livros, e pior ainda, da Secretaria de Educação, que os colocou nas escolas mineiras. Eu, hein! Z Meu amigo Rubem Leite me leu um conto lindo, por telefone. Tinha acabado de escrever e resolveu compartilhar comigo! Uau, muito bonito e instigante! Z Coitado do Barack Obama; esse Prêmio Nobel da Paz vai ser sacudido no nariz dele toda vez que tiver que tomar uma atitude para defender o ImpérioZ Um abraço especialíssimo para Olga, Juliana, Clérie Simone, Aparecida, Madalena, Irlaine, Wilson, Ana Paula, Amélia, Júlio, Marilza, Niuza, professoras da Escola Municipal Hermes de Oliveira Barbosa de Pedra Branca, onde contei histórias pelo Dia da Criança. Foi muito bom! Z Você ainda tem tempo para participar da Jornada de Literatura do CLESI. As inscrições foram prorrogadas, por causa da greve dos Correios, até 15 de outubro Boa sorte! Z Aquele rapaz de dois metros foi passar o feriado na Oktoberfest, em Santa Catarina.. Vidão! Z Um dia cheio de bênçãos, com poemas de Machado de Assis e som de Nana Caymmi. Um risoto de galinha, bem colorido e apimentado, caldo de cana e pudim de pão, e muita saúde para enfrentar as rebordosas, são os meus votos. Z Au Revoir

terça-feira, 6 de outubro de 2009

COROAI-ME DE ROSAS, UM LIVRO ESPECIAL

“De perto, nenhuma família é normal.”
(Dostoiévski, em Crime e Castigo)

“De perto, ninguém é normal”.
(Caetano Veloso em Vaca Profana)

Sim, se há mais coisas entre o céu e a Terra, do que sonha nossa vã filosofia”, o ser humano constitui o maior mistério do Universo. Apesar de todo o avanço da Ciência, apesar de todas as descobertas, o homem e seu cérebro ignoto estão aí, como a esfinge, propondo o enigma “decifra-me ou te devoro”. Tratados e mais tratados científicos nos explicam o que já sabemos, ou seja , o cérebro humano é um intrincado conjunto de possibilidades das quais conhecemos pouco ou nada. Não se achou ainda porque algumas pessoas apresentam diferenças de compreensão e comportamento e as teorias falam, mas não dizem tudo. Neste 4º Salão do Livro, que trouxe tanta coisa boa, oficinas, lançamentos de livros, palestras, teatro, movimentação de alunos e professores e do público em geral, tive uma experiência fascinante. Desta vez, eu não participei de tudo, porque o nervo ciático resolveu se manifestar, justo nos dias da festa! Fiquei de molho, curtindo dor, já encomendei uns joelhos novos, uma coluna idem, e um fêmur estalando de novinho, pra fazer umas mudanças aqui e parar de sentir tantas coisas advindas do passar dos anos! No entanto, antes de a coisa engrossar, eu fui ao lançamento do livro “COROAI-ME DE ROSAS”, no Teatro Zélia Olguin. Pouca gente, mas uma discussão importantíssima: a autora. Rosimara de Mont’Alverne Neto é portadora de esquizofrenia. Conduzindo o debate, Rosana de Mont’Alverne, contadora de Histórias, fundadora da Editora e Instituto Aletria, e irmã da autora. Opinando com maestria, a escritora e psiquiatra Angélica Vaccarini nos deu informações preciosas sobre os portadores de sofrimento mental. Pois é, a cada dia percebemos a preocupação da sociedade, ou melhor, de parte dela, no sentido de integrar, socializar, e não mais segregar quem tem problemas mentais. A convivência com a família, com amigos, o tratamento supervisionado pelo médico, podem e fazem todo o diferencial na vida de quem tem problemas desse tipo. Que o diga Rosimara; cresceu como uma jovem “normal”, com muitos irmãos, aos 17 anos já estava cursando Direito na UFMG, formou-se, foi aprovada em concurso público e era chefe de gabinete de um importante tribunal, quando um dia teve um surto. Aí veio o tratamento, muito sofrimento, a ajuda da família, e da necessidade de externar o que se passa pela alma de uma pessoa com tais sintomas, resultou o livro. O prefácio é do escritor Bartolomeu Campos de Queiróz, que diz: “Ler Rosimara é se deixar sonhar com um riacho manso. As águas conversam com o sol e rolam claras na superfície. Mas, no mais fundo, elas vestem, de musgo e verde, antigas e pesadas pedras. A transparência do texto é tamanha que nos permite ver muito além das coisas. Ao questionar a razão, afirmando sempre ser propriedade do outro, e uma sociedade por não democratizá-la, Rosemara o faz valendo-se de uma escrita sensível, capaz de envolver o leitor cuidadosamente. Ela reconhece que as palavras nos fundam como humanos e o mundo é do tamanho do que cada um sabe dizê-lo.” Formada também em Letras, curso feito após o advento da doença, Rosimara enfrenta valentemente a vida, ajudada pelos medicamentos, pela família, pelos amigos leais. O futuro a Deus pertence. Sua parte é lutar e ela o faz com garra. Prazer em conhecê-la, Rosimara! Sua coragem renova a coragem das pessoas comuns! E nada mais digo!POESIA SEMPREOUTUBRO(João Dinato)Quando os teus olhosTocarem a primaveraJá serão os primeiros dias de outubro.Entre o mar e a serra Haverá caminhos de floresE as chuvas terão chegadoPara que uma lagoa reflita o céu de outubro...ZOOM- E agora o tema de todas as reportagens será a escolha do Rio de Janeiro para as Olimpíadas de 2010. Tudo bem, mas que não seja para varrer a sujeira para baixo do tapete e fingir esquecer os problemas nacionais. - Parabéns a todos que lançaram seus livros: João Marcos, Micheline Lage, Wanda Galinari, Goreti Freitas... Muito sucesso! - Abraços para a poeta Lilá e Gesilda, Marizia Edith e para a professora Helena, do Colégio Angélica, também para a advogada Jesa Maria de Oliveira. - Pela segunda vez, o desabusado Berlusconi, primeiro ministro da Itália, chamou Barack Obama de “bronzeado”. Esse Berlusconi é mesmo um espírito-de-porco, ara! - Parece que as coisas em Fabriciano se acalmaram, em relação ao Parque Linear. Ainda bem, não é mais época de político ficar fazendo birrinha um com o outro, prejudicando os eleitores. - Motivado pelos equipamentos que vendem salgadinho e refrigerante, um empresário paranaense inventou a máquina que vende livros a baixo preço e está fazendo o maior sucesso por esses brasis afora. - E a novela da eleição em Ipatinga, quando será resolvida? Mistério... - Um dia cheio de beleza e alegria, com muita paz, versos de João Cabral de Melo Neto, poemas musicados com Djavan, almeirão com angu e feijão, com costelinha frita, hum, são os meus votos... Au revoir.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

LAMENTO IPATINGUENSE

Aqui jaz uma cronista
Que perdeu a inspiração
Ao saber da má notícia
Foi suspensa a eleição!

Não é possível, meu Deus
Pra que tanta embromação?
Olhe para os filhos seus
-É muita judiação!

Fazem da gente um capricho
Zombam da luz da verdade
É um grande desatino
O destino da cidade

Sai recurso, entra recurso
A eleição foi travada
Parece que a coisa pública
Está indo pra privada

Gente, que mesquinharia
Uma tremenda injustiça
A turma tá confundindo
Ipatinga com carniça

Valei-nos nessa pendenga
Senhor do céu e da Terra
Chega de dor e arenga
Senão a gente se ferra!

Assim dá até tristeza
Viver no Vale do Aço
Pois temos uma certeza
A gente não é palhaço!

E agora meus senhores
Que será dessa cidade,
De filhos trabalhadores
Sofrendo de ansiedade?

Resolvam nosso problema
Chega de complicação
Devolvam nosso sistema
Devolvam nossa eleição!

Esta terra dadivosa
Este drama não merece
Uma briga horrorosa
E o povo é quem padece

Da parte de toda a gente
Vou aqui anunciar
IPATINGA QUER SOMENTE
O DIREITO DE VOTAR!

E pra dizer a verdade
Se não for pedir demais
DEIXEM DE TANTA VAIDADE,
QUEREMOS PROGRESSO E PAZ!

(E NADA MAIS DIGO)