segunda-feira, 17 de novembro de 2008

E KUNTA KINTE FEZ SUA DANÇA TRIBAL


Nena de Castro
11/11/2008 -

Ao som dos tambores ancestrais, Kunta Kinte dança. Sorriso aberto, gritos de guerra e alegria, Kunta dança. Dança como dançam os homens da sua tribo, quando celebram as caçadas, os casamentos, os rituais de iniciação, as festas religiosas... O corpo do guerreiro Kunta Kinte ginga, sobe, desce, balança, enquanto empunha a lança e o escudo.
O jovem Kunta havia vencido o "kafo", o último grau de instrução pelo qual passavam todos os meninos de seu povo... Aprendera a tomar conta das crianças menores, que ficavam dentro de um cercado no centro da aldeia, junto com as avós; aprendera os segredos de pastorear as cabras e outros animais, sem deixá-los fugir; fora circuncidado; e por fim, seu pai lhe revelara os segredos da vida. Aprendera a caçar e, sobretudo, a ter orgulho de sua tribo, localizada na Gâmbia (África Ocidental), e a respeitar os anciãos, que davam a última palavra nos problemas de todos. O guerreiro que dança, sequer imagina que essa será sua última celebração como homem livre, e que no dia seguinte será capturado como um animal e atirado em um navio negreiro em direção à costa norte-americana. Que, ao lado de seus irmãos de raça, viraria caça, animal capturado, acorrentado, atirado em porões infectos. A viagem era um pesadelo sem fim, com os estupros, a fome, a chibata, as correntes... No desembarque, a venda, a separação dos entes queridos, o início do trabalho escravo nas fazendas de algodão. O jovem guerreiro, humilhado, judiado, tenta fugir: uma, duas, várias vezes, até que lhe cortam a machado a metade de um dos pés. A dor, o sangue, a ferida, e o arrastar-se para o trabalho, sem poder fugir de seu destino atroz. Forçado a aquietar-se, tratou de sobreviver sob o jugo branco. Sua companheira lhe deu filhos; vieram os netos, bisnetos e trinetos, um dos quais, jornalista e historiador, de nome Alex Hayley, levantou a sua história, publicando-a no livro "Negras Raízes". Seus descendentes cresceram em um país de brancos, onde tudo se destinava a estes; a abolição da escravatura deu origem a uma guerra civil, que quase seccionou a nação. Os negros eram considerados entes sem alma, embora a jovem nação americana se declarasse cristã. No entanto, a discriminação continuou. O norte-americano destinava aos negros o desprezo, o ódio racial, a separação de classes; até as privadas primitivas de beira de estrada, aquelas de fossa, nos rincões mais distantes, ostentavam o tenebroso cartaz: "white men only" - só para brancos -, como se as fezes dos homens brancos fossem mais nobres que as dos homens de pele escura. A luta foi muito grande. Milhares de negros enforcados ou queimados pela Ku Klux Klan e ignorados pela sociedade americana, escravocrata e "cristã". Transcorridos tantos anos, nesse início de novembro de 2008, Kunta Kinte dança novamente. Com ele dançam todos os negros, vivos e mortos, em alegria ancestral; soam tambores na noite dos tempos e comemoram juntos: Stokely Carmichael, Charlles Eddie Moore, Malcom X, a costureira Rosa Parks, que um dia se recusou a ceder seu assento a um branco no Alabama, e foi presa, Angela Davis, Martin Luther King, o reverendo Jesse Jackson, os artistas negros que nunca puderam se hospedar em hotel de brancos, e todos os escravos que morreram pela mão dos brancos nessa nação que se diz paradoxalmente, cristã. Kunta Kinte faz, feliz, a sua dança tribal. Um descendente seu, de cabelo pixaim e pele escura como a sua, foi eleito presidente dos Estados Unidos...




POESIA SEMPRE
FALA
(Orides Fontela)
Tudo
será difícil de dizer:
a palavra real
nunca é suave.
Tudo será duro:
luz impiedosa
excessiva vivência
consciência demais do ser.
Tudo será
capaz de ferir. Será
agressivamente real.
Tão real que nos despedaça.
Não há piedade nos signos
e nem no amor: o ser
é excessivamente lúcido
e a palavra é densa e nos fere.
(Toda palavra é crueldade).


ZOOM
►BOM DIA meu querido amigo Oswaldo Machado de Oliveira Junior, o Dinho, que lê esta coluna pela net, toda terça-feira, lá no Canadá, onde reside com a família. Beijos pra todos, e o carinho dessa escriba.
►Não sei se vocês leram o comentário que o chefe da Ku Klux Klan, o pastor Thomas Robb, fez sobre o pai de Barack Obama. Se não leram, não perderam nada, eita que mediocridade! E o cara se diz cristão, hein!
►Gente, que orgulho dos professores de Ipatinga: sem deixar de lutar por seus direitos, trabalham com garra e tenacidade. A cada dia, novos e interessantes projetos chegam ao conhecimento da Comunidade.
►Um alô especial para Idagmar Habib, uma das grandes damas do Lions Clube na região. Depois de viajar por um monte de locais lindos do Brasil, reassume seu trabalho na Câmara Municipal o jovem advogado Tiago de Castro.
►Hoje, o professor Sávio de Tarso vai fazer palestra para estudantes na sede da Biblioteca Zumbi dos Palmares. Boa pedida!
►Ai, chega de mortes, desastres, tragédias... Vamos relaxar, ler a Bíblia, ler poesia e, sobretudo, clamar pela misericórdia de Deus.
►Gemina Linhares, que bom foi te rever outro dia. Foi rápido, mas o abraço foi caloroso. Valeu.
►Abraços para as mestras Marlene Dornelas, Ane Ribeiro Penha Salazar e Maria Imaculada.
►Uma semana com gosto de macarronada com frango caipira, feita com o molho que só a mãe da gente sabe fazer, compota de caju, suco de tamarindo, versos de Orides Fontela e som de Martinho da Vila. Esperança, alegria , saúde e paaz, são os votos desta escriba.
►Críticas, sugestões e eventuais elogios, pelo e-mail: nenadecastro@yahoo.com.br.







terça-feira, 4 de novembro de 2008

NÃO FOI SÓ O DIA DAS BRUXAS...


04/11/2008 - (NENADECASTRO-MACUNADRU)

Luminosa manhã de sexta-feira. O sol brilhava, secando as poças que a tempestade da noite anterior deixara. Fora uma chuva forte, com ventos, e o ruído da janela batendo me acordou. Fiquei ali, sem me mover, apesar dos pingos que invadiam o quarto pela abertura da janela. Passei a mão pela borda da cama, molhada pela água que descia do céu e o vento impelia até onde eu estava. Veio-me à mente, uma outra noite de tempestade, há muito, muito tempo atrás, em que acordei com minha irmã Mariinha me chamando. Chovia a cântaros, eu dormia perto da janela, minha cama estava molhada pela água que descia da goteira, mas eu continuava dormindo o sono de uma criança de 7 anos. – "Acorda menina, tá tudo molhado, passe para cá" - disse ela, colocando meu travesseiro no canto de sua cama. Ajeitei-me feliz, dividindo a coberta com ela, creio que você já dormiu no cantinho da cama de seus pais, de um irmão, de sua madrinha. A sensação de calor, proteção, e amor penetram em seus poros, e você se sente protegida de todos os seus medos, tutu-marambá fica de longe, com inveja do amor que você recebe...
O sol prossegue em sua jornada, a manhã da cidade grande se consome em carros que passam, lotações cheias de pessoas que vão para o trabalho, coletores de material reciclável em seus carrinhos, crianças e jovens indo para a escola... Caminho, respirando fortemente o ar fresco da manhã. Onde estou há casas com jardins, e vejo um incrível arco verde de bambuzinho que separa a garagem da parte interior da casa. Vou para um auditório onde vai acontecer uma solenidade, poetas, escritores, pessoas que amam os livros, estou no meu elemento. À noite, vamos lanchar e procurei ficar sozinha por uns instantes, para agradecer a Deus por mais um ano de vida. As ruas quedavam-se quase silentes. Serenava e o céu deixava cair ouro e prata em partículas de luz. O calçamento iluminado acolhia meus passos, o ar rescendia a flores. E assim, cercada de magia e de beleza, vi elfos e sílfides dançando ao meu redor. Recordei a voz de Larissa dizendo "te amo, mãe!". E feliz, agradeci ao Criador por ter alcançado os meus 5.9. Voltei para os meus amigos que me aguardavam, e recebi os seus abraços...

UM MAL ENTENDIDO HISTÓRICO

Zuenir Ventura conta em seu livro "1968, O Ano Que não Acabou", que Ziraldo foi preso logo depois do AI-5 e colocado no "Maracanã", um amplo local no DOPS, no Rio de Janeiro, para a triagem. Logo ao chegar, foi abordado por um rapaz que queria saber "a linha do companheiro". Existia na época, entre as esquerdas, uma diferença de pensamento: o pessoal do PCB, o Partidão, defendia a moderação e a revolução a partir da conscientização dos operários, e através deles, do povo; eram os reformistas. Já o pessoal dos movimentos estudantis, defendia a ação, a luta armada, eram os radicais, os revolucionários. As discussões eram intermináveis e Ziraldo, querendo evitar um bate-boca ali no DOPS, respondeu:
- Eu não pertenço a linha nenhuma, sou um democrata e não quero discussão!
O rapaz não entendeu. Entre as dezenas de presos naquele dia - bicheiros, jornalistas, intelectuais, - chegara uma leva de motoristas de ônibus apanhados em uma blitz policial. A filha de um general havia sido destratada por um deles em um ônibus e o pai determinara à polícia que saísse prendendo todos, para que a moça pudesse reconhecer o agressor.
- Calma, companheiro, disse o rapaz, eu só queria saber qual é a sua linha de ônibus! Ziraldo percebeu, então, que sua camisa cáqui, com presilha nos ombros, era igual ao uniforme dos motoristas...
POESIA SEMPRE.

É ELA, É ELA, É ELA, É ELA!
(Segunda parte da Lira dos Vinte Anos)
ÁLVARES DE AZEVEDO
"É ela, é ela! – murmurei tremendo,
E o eco ao longe murmurou – é ela!
Eu a vi... minha fada aérea e pura –
A minha lavadeira na janela!
Dessas águas – furtadas onde eu moro
Eu a vejo estendendo no telhado
Os vestidos de chita, as saias brancas;
Eu a vejo e suspiro enamorado!"

ZOOM
►BOM DIA, grande Célia Brito, professora de Português do Colégio Assedipa. Assisti ao ensaio do seu VI Festival de Poesia e Música - Uma Homenagem à Mulher - a que não compareci por ter viajado. Vi a alegria, o entusiasmo, dos alunos do curso Médio, tocando violão, cantando canções de Vinícius, declamando poesias de poetas nacionais e de poetas ipatinguenses. Coisa mais linda! Obrigada pela homenagem prestada a mim, a Marília Lacerda e Dona Chammes. Que projeto magnífico! Por estas e por outras é que me orgulho de ser professora. Parabéns a todos, alunos, Colégio e à mestra Célia que, aliando coragem paciência e garra, tem mostrado aos seus alunos o caminho da beleza!
►Um abraço para a estudante de Direito Camila Carvalho Assis, que presta serviço no Juizado Especial. Viajamos juntas e descobrimos, além do Direito, uma outra paixão: a professora Maria Emília Souza, que ministra Direito Civil na FADIPA, e é uma grande amiga desde o tempo em que foi minha estagiária na Defensoria Pública Municipal. Querida Emília, eu disse à Camila, que se ela seguir os seus passos, vai ser uma grande profissional! Pessoal, obrigada pelas flores, e pelos votos pelo meu aniversário no dia 31. A querida amiga Maria do Rosário Machado me enviou uma cesta de café da manhã que foi uma festa! Merci!
►Procurem ler na revista Veja desta semana, a reportagem sobre outros remédios que fazem mal e foram proibidos por provocarem doenças, ao invés de ajudar os usuários. Tá complicado e todo cuidado é pouco!
►Um abraço para a psicóloga Valéria Imaculada Andrade,que faz seu trabalho aliando a Arte aos cânones da Psicologia. Comuniquem-se com ela através do valériaarteterapia@hotmail.com
►Abraços também para as professoras Dalmácia Ramos e Maria Aparecida Ferreira, Cibele Lage e Mayza Domingues Castro.
►Um dia cheio de luz, carinho dos amigos, esperança infinda, emoção e alegria, com os versos de Carlos Drummond de Andrade e o samba de Dudu Nobre. Aquele mingau de couve com pedaços de lombo frito, à moda da roça, doce de cidra para acompanhar, sorrisos de crianças em harmonia com a vida, e a indispensável paaz, são os meus votos. ►Críticas, sugestões e eventuais elogios, pelo e-mail: nenadecastro@yahoo.com.br. Au Revoir.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

SABIÁ LÁ NO JARDIM...







21/10/2008 - (Nena de Castro-MACUNADRU).

Novamente acordo no sábado, com a velha inimiga, a enxaqueca, se manifestando. O mundo explode em dor pulsante, náuseas e fobia quanto à luz. Saio lá fora para pegar o jornal, protegendo os olhos com a mão. Kid abana o rabinho, amoroso como sempre, e minha sabiá de plantão, a Gertrud, cisca no meio dos farelos de pão que o dono da casa coloca perto da água, toda manhã. Uma rolinha lhe faz companhia, e Gertrud reclama com ela o fato de que a proibi de fazer o ninho no meu vaso de samambaia, na varanda. Certa feita, outra sabiá lá se aninhou, e nós não tivemos coragem de expulsá-la. Ficamos vendo nossa planta morrer de sede enquanto a ave chocava seus ovinhos. No final, a samambaia morreu, mas dois lindos filhotes nasceram e cuidamos deles, colocando-os em gaiola, onde a mãe os alimentava. Quando estavam fortes para voar, abrimos a gaiola, fizemos o bota-fora e depois fomos cuidar de replantar a samambaia. Gertrud, minha velha inquilina, que não paga aluguel, pára de ciscar por um momento e me diz: - "Sábado de sol, dia lindo, pode me explicar por que os jovens estão morrendo e matando em vez de irem praticar esportes, namorar, cantar e viver? O que vocês estão fazendo com seus filhos, ou pior, permitindo que outros façam, que os deixam tão desesperados? Tão desesperançados? Tão infelizes?" - Ai, Gertrud, quisera saber - respondo. A moçada, na fase mais linda de sua vida, está aí, se matando, se drogando, jovens esmagados sob tanta informação sem formação, vítimas de um sistema inoperante, vivendo em um mundo desordenado e sem valores. Não diga que culpo o sistema por tudo, mas é preciso que o governo desenvolva uma política mais abrangente e atraente para a juventude. Só a escola não basta, é preciso centros de atenção à família, locais onde os jovens possam se divertir, discutir seus anseios e, principalmente, encontrar quem os ouça, sem julgar, sem condenar, aceitando o turbilhão de sentimentos que os acompanham. Aí, tragédias como a de Santo André e tantas outras não mais existirão.
- "Vá sonhando, consertadora do mundo, vá sonhando!" – diz Gertrud, enquanto bate as asas e alça vôo para não sei onde.
Espantada, resolvo voltar para a cama, enquanto penso com quem será que minha sabiá aprendeu a ser irônica...

CHAME O LADRÃO!
Esta semana, veio à minha mente o refrão da canção do Chico Buarque, ao ver as polícias civil e militar se enfrentando em distúrbios de rua em São Paulo. Serra diz que a greve é manobra eleitoreira, os policiais civis se defendem invocando o direito de lutar por melhores salários. Enquanto "os home" brigam entre si, Lady Zeferina acha graça, pensando que estão provando um pouquinho do "remédio" que sempre aplicaram em grevistas e estudantes, principalmente na época dos anos de chumbo. Outro episódio infeliz foi o desastre da operação-resgate em Santo André. Até eu, que nada entendo de operações policiais, sei que o primordial é retirar os reféns de perto do seqüestrador, vivos, se possível. Agora, mandar de volta para a toca da onça uma menina inocente, faça-me o favor... No entanto, o erro de uma operação desastrosa não deve apagar as vitórias alcançadas. Observo que ser policial é uma das profissões mais ingratas do mundo. A sociedade, que precisa dos policiais, também os despreza. O governo sempre os tratou com descaso, descaso este estendido aos professores. Conviver diuturnamente com o perigo, a tensão, as cobranças, ter de cuidar da família, com um salário nem sempre à altura, tudo isto pesa, e muito. Não se trata, portanto, de só propor aumento de salário e fornecer equipamentos modernos. É preciso assistência integral, melhoria dos cursos de formação, plano de carreira, prêmios, oportunidade de estudar e se desenvolver como todo ser humano precisa para ser feliz. Aí, ninguém mais vai cantar, "chame o ladrão, chame o ladrão".


ZOOM
►Bom dia, minha flor do campo, querida poeta Dona Bizuca! Devemos à senhora o poema que deu origem ao Hino de Ipatinga! Que Deus a cubra de bênçãos junto aos seus queridos!
►Sei não, mas a notícia veiculada por jornal de São Paulo, dando conta de um grupo, sob a liderança do pastor Inereu Lopes, que vendeu bens e abandonou famílias para viver numa comunidade em Ecoporanga/ES, aguardando o fim do mundo, sem se misturar com os pecadores, não tá me cheirando bem. É o caso de a PF fazer uma investigação séria, antes que...
►Um abraço para Manoel Roberto Souto e a professora Célia, do Colégio Assedipa. O amor é lindo mesmo, não é?
►Outro abraço, agora para as meninas do Sind-UTE, Feliciana Saldanha, Reny Batista e toda aquela turma animada que prepara com carinho mais uma edição da Confraternização pelo Dia do Professor.
►Respondo à consulta de minha leitora Iva Maria, do Cariru, via e-mail: sua pergunta procede, cara leitora: estadia, que muitos usam para determinar o tempo que passam em algum lugar, refere-se ao prazo concedido para carga e descarga do navio no porto. Já para determinar o tempo em que pessoas permanecem em um local, o correto é estada. Em caso de dúvida (e quem nunca as teve?), consulte o "Tio Orélio", pai dos inteligentes. E quanto à famosa frase "uma rosa é uma rosa, é uma rosa, é uma rosa", a mesma é de autoria da americana Gertrud Stein. Já o autor de "O Nome da Rosa", é o italiano Umberto Eco. O livro retrata a investigação de um crime um monastério na Idade Média; virou filme, com Sean Connery no papel principal. Z Abraços para Gilda de Sá e Andréa Coelho, alunas de Pedagogia da Faculdade Pitágoras, que trabalharam no III Salão do Livro...
►Um dia cheio de borboletas coloridas voando pelo espaço, céu azul e sol, água de cachoeira caindo na cabeça, bem fria e relaxante. Som de João Gilberto, poemas de Antônio Gedeão, aquela mandioca frita com torresmo (tudo ligth, xô colesterol!) suco de graviola, amor, alegria e paaz, são os meus votos. Au revoir.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

POESIA SEMPRE


MUITAS VOZES

(FERREIRA GULLAR)

Meu poema
é um tumulto:
a fala
que nele fala
outras vozes
arrasta em alarido.


(estamos todos nós
cheios de vozes
que o mais das vezes
mal cabem em nossa voz:


se dizes pêra
acende-se um clarão
um rastilho
de tardes e açúcares
ou
se azul disseres
pode ser que se agite
o Egeu
em tuas glândulas)


A água que ouviste
num soneto de Rilke
os ínfimos
rumores de capim
o sabor
do hortelã
(essa alegria)


a boca fria
da moça
o maruim
na poça
a hemorragia
da manhã

tudo isso em ti
se deposita
e cala.
Até que de repente
um susto
ou uma ventania
(que o poema dispara)
chama esse fósseis à fala

Meu poema
é um tumulto, um alarido:
basta apurar o ouvido.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

UMA OU TRÊS COISAS QUE PENSO...

Amiga minha riu das minhas comunidades no orkut: tirando OS CAPIAU (HARDCORE) e O GRITO DE ALERTA, que é uma comunidade de jovens evangélicos, gente cabeça, só tem...POESIA! E tá ruim?
Tenho certeza que quando o zóide do dad alcançou o óv da dona Inês, ele fez um versinho. Podia não ser nada Xeiquisperiano, mas fez. AÍ eu nasci rimando umas cantigazinhas de choro! Porque até eu fico besta como gosto, vivo, escrevo, como, antropofagizo, cavalgo, viajo, velejo, vou ás luas de Saturno e ao Morro do Escorpião, leio e AMO POESIA! Ela é meu útero, cordão umbilical, ninho macio, local de encontro/desencontro, meu escudo e lança, ginete e pedra! Topada no dedão, nervo exposto, pele de ferida, sangue das entranhas, veia seccionda, gozo e vida...
Graças a ela, posso ser louca o quanto quero. Mas sou só aprendiz! Nunca vou saber tudo, e essa estranheza me humaniza.
Olhem só o que recebi de um novo amigo , Allison (GRUGO) , da cidade de Castro, no Paraná. (Atenção, a cidade de Castro não é exatamente um burgo da Nena, hein?)
Lá vai:
(Um poema de GRUGO)
Esse assunto
não discuto
ou mudo
o mundo
ou fico
mudo.
Uau! E o menino diz que só está começando, vejam vocês!
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Agora, fazendo o caminho inverso, descobri um português que não se chama Joaquim nem Manuel, mas sim, Rômulo de Carvalho. O cara era cientista, foi professor, e escreveu romances, peças teatrais, artigos históricos e pedagógicos e ...POESIA! Só que usava o pseudônimo de Antônio Gedeão.
VEJAM QUE MAGAVILHA:
MINHA ALDEIA
(ANTÔNIO GEDEÃO)

Minha aldeia é todo o mundo.
Todo o mundo me pertence.
Aqui me encontro e confundo
com gente de todo o mundo
que a todo o mundo pertence.

Bate o sol na minha aldeia
com várias inclinações.
Ângulo novo, nova ideia;
outros graus, outras razões.
Que os homens da minha aldeia
são centenas de milhões.

Os homens da minha aldeia
divergem por natureza.
O mesmo sonho os separa,
a mesma fria certeza
os afasta e desampara,
rumorejante seara
onde se odeia em beleza.

Os homens da minha aldeia
formigam raivosamente
com os pés colados ao chão.
Nessa prisão permanente
cada qual é seu irmão.
Valências de fora e dentro
ligam tudo ao mesmo centro
numa inquebrável cadeia.
Longas raízes que emergem,
todos os homens convergem
no centro da minha aldeia

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

DELÍCIAS LITERÁRIAS

Começam a chegar os presentes de aniversário. Vejam só o JS, o poeta de MARIANA,fez pra mim:

ACRÓSTICO FLORAL -
(p/ Nena de Castro)

gerâNios
mEntzélias
begôNias
mArgaridas

Dálias
cEntradênias

Cenécios
lobéliAs
gailárdiaS
peTúnias
lobuláRias
calceOlária

Lindo e original como o meu amigo poeta! Obrigada!

Agora, vejam se não estou mesmo podendo! No dia, 4/10, eu e NIVALDO REZENDE fomos homenageados pelo IMbrasCI (Instituto Cultural com ramificações internacionais), e recebemos medalhas das mãos da Governadora em MG, a poeta DÉIA LEAL, que nos ofereceu o poema que se segue:

DIZEM DOS POETAS
Andréia Donadon Leal

(Para Nivaldo Resende e Nena de Castro)

Dizem que poeta sente demasiadamente
pelos cantos do quarto
pelos cantos da sala
pelos cantos da rua
pelos cantos...

Dizem que poeta é sensível
poupa de fruta corrompida
ponta de pele exposta
ao léu !

Dizem que vive no mundo da lua
no mundo das emoções
rodopiando, dando pulos
falando sozinho
ou de fala mansa
com os animais
com as flores
com o capim
com a montanha.

Quando se apaixona
se esparrama de cara no amor
ficando meio bobo
meio no mundo da lua,
no meio da lua e no meio do caminho.

Amor de poeta não correspondido
é
pele machucada
repleta de roxo
em cantos mínimos
e máximos do corpo,
a mercê de uma palavra
um gesto
uma esperança
de ver sair da vida
que nem análise
da própria insensatez
de machucar a si mesmo.

Dizem que poeta sente demais
observa muito
chora demais,
dizem que poeta é exagerado
quando ama
...
Poeta não finge a dor que sente
não finge amar o amor
não finge fingindo ser,
poeta não dissimula gozo
não dissimula paixão
não dissimula pôr-do-sol
não dissimula água cristalina
que brota fresquinha e desce
em cascatas pelas encostas da vida;

poeta não precisa fumar um back
para ficar bacana, zen,
nem tomar garrafa de uísque
e dar pulinhos pelos paralelepípedos;

poeta não precisa de óculos de sol
para colorir a realidade de rosa choque
de rosa bebê
de marrom glacê
de verde vessiê
de azul da prússia
de amarelo ocre
de amarelo ouro

para ver a flor desabrochar no quintal de casa
no meio do matagal, no meio do nada,
ver o sol despontar no alto da montanha
sentir a brisa acariciar o rosto
escutar a melodia dos pássaros
e o galo cantar quando o sol
se mancha no alto do horizonte
...
Dizem que poetas são assim mesmo
enxergam além da montanha.
________________________--

Uau, brigadão, Déia! ó, que tô me achando, hein?

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

UMA SEMANA INTENSA

Sabem, durante o III Salão do Livro no Centro Cultural Usiminas, eu me diverti muito, fazendo mais um curso de contação de histórias. O professor é lá do Sul , cognome, José Bocca. A turma estava animada e a gente botou pra quebrar com técnicas de respiração, noções de equilíbro, impostação de voz, and so one... O ruim, para mim, foi subir e descer aquelas escadas para chegar até a sala de ensaios, eu subia e descia, com dores dos problemas ósseos, e tome dor no joelho, nos calcanhares, na coluna, ê dasdor! Mas o bom mesmo era estar no estande do CLESI. Novos lançamentos, entre os quais, o BELAS BAILARINAS , de Marília Lacerda, muito bonito! E o carinho da meninada com a autora de MARIANA CATIBIRIBANA, que por acaso, soy jo? E a maravilha que foi saber que o livro do JS, o delicioso JENIPAPO ganhou um prêmio da União dos Escritores Brasileiros? Eita, que maravilha! Vamos todos para o Rio, no final do mês, prestigiar o JS, que vai receber o diploma na ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS!!!
Pra lá de bom foi o lançamento de CENÁRIO NOTURNO, de Déia Leal, no Jardim Japonês, que é um belo lugar, mas que acaba com as sandálias novas da gente, com tantas gretas nas ripas do assoalho e as pedras. Da próxima vez, vou de chinelo de dedo, juro! E teve o jornalista de Brasília, Paulo José Cunha, com aquelas crônicas deliciosas sobre a capital do país, narradas, mostrando lindas paisagens! E eu mais o cumpadi Nivaldo Rezende, fomos agraciados por nosso trabalho em prol da Cultura, pelo IMbrasCI, que é um instituto cultural que faz intercâmbios com escritores e poetas de meio mundo! Ah, eu fiquei toda importante, com aquela fita azul com medalha, Lady Zeferina, adorou!
Mas não importa que a mula manque, graças a Deus, a campanha política chegou ao fim, ninguém aguentava mais! Agora, é tocar o bonde! E vamo que vamo!
Um abraço!