terça-feira, 7 de abril de 2009
GERTRUD ESTÁ DE LUTO...
Gertrud, minha sabiá, canta do jardim me chamando. Pelo seu canto percebo que está impaciente e zangada. Chego até à janela.- Olá, Gertrud! Como vão as coisas?- Até que enfim! Não tenho o dia inteiro!- Nem eu, Gertrrud. Estou escrevendo minha crônica. Aliás, você podia me explicar o que fazia sexta-feira, perto da Prefeitura? Não disfarce, eu a vi lá; você fingiu que não não era com você, mas eu vi, amiga!Gertrud dá uns pulinhos no galho da escumilha, se ajeita em um pé, procura uma posição melhor... Está inquieta e realmente zangada:- Olha aqui, posso voar e ir para onde eu quiser, sou um pássaro! Não sou limitada como os seres humanos, nem tenho excesso de peso como certas pessoas com quem convivo!- Sem ofensas, Gertrud, o meu peso não é da sua conta. Mas você ainda não me respondeu: o que fazia por lá?- Bom - diz a avezinha, mudando de galho -, eu fui lá saber das novidades. Afinal, quem vai ser o prefeito de Ipatinga? Estou receosa de uma reedição do drama tragicômico de Timóteo. E nesse caso, a cidade pára, e o povo sofre!- Gertrud, não vou discutir isso com você, é cedo pra gente se arriscar em prognósticos. Vamos aguardar, digo em tom conciliador.Ela nem me ouve e dispara: - E aquele absurdo da condenação do casal Nunes, de Timóteo, que quer educar seus filhos em casa e está levando o maior ferro nos Tribunais? Meu Deus: alguém, por favor, tire a “venda da Justiça” no tocante ao caso dos irmãos Jônatas e Davi Nunes que os pais querem educar em casa! Logo nesse país, com tantas crianças e adolescentes nas ruas, com o péssimo nível de ensino que temos, que nos deixa nos últimos lugares entre os países no quesito qualidade de educação, parece brincadeira!- Gertrud, você hoje está impossível! Veja se me deixa em paz, estou tentando escrever sobre um poema de Álvares de Azevedo, dá um tempo, amiga!- Muy amiga, nem quer me ouvir hoje! Você parece traça de livro, sempre rodeada por essa papelada!- Ué, Gertrud, pensei que gostasse de livros, de poesia, de ler... Vive me citando trechos de lindos poemas, de romances... - Gosto sim, mas hoje não quero saber de nada!- Mas o que foi, criatura, por que você está soltando fogo pelas ventas?- É por causa do meu parente, o Pixarro, lá em Itapira, em S. Paulo! Coitado, que morte inglória! Além de viver no cativeiro, foi roubado, e colocado na cueca do ladrão! Morreu sufocado, por falta de ar e pelo calor daquela “coisa horrorosa”. Pobrezinho! Se ainda tivesse sido apanhado por um gavião, mas não, foi enfiado lá junto das “partes” do desalmado! Acabou indo desta para melhor, de uma forma tão absurda tão... kafkiana! – disse, enxugando as lágrimas!- Gertrud, eu... - Fiquei sem saber o que dizer. A sabiá alçou voo e se foi. Ainda pude ouvir sua voz:- Também, num país em que o presidente vai tentar explicar a crise econômica, com o estado de um doente e fala “sifu”, numa declaração, o que se pode esperar? E alçou vôo e foi embora... Pobre Gertrud, pobre trinca-ferro, ai de nós...
POESIA SEMPRE
COGITO
(Torquato Neto)
eu sou como eu sou
pronomepessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível
eu sou como eu sou
agora sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim
eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranqüilamente
todas as horas do fim.
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
DE SARAMAGO,enchentes e rosas...
Nena de Castro - MACUNADRU
O escritor português José Saramago não acredita em Deus. Direito dele. Cada um escolhe em que acreditar... Deus está em tudo, e a prova se faz no nosso dia-a-dia, na contemplação de tudo que existe. Ruinzinhos mesmos somos nós, que destruímos metafórica e literalmente a beleza da Criação, e cavamos nossa própria sepultura. Deus é a realidade mais tocante e verdadeira para quem crê, independente de rótulos, religiões e códigos... Eu creio nEle, mas eu não sou Saramago. O brilhante jornalista, poeta, roteirista, dramaturgo e escritor foi agraciado com o prêmio Nobel de Literatura de 1988. A ele devemos o efetivo reconhecimento internacional da prosa em Língua Portuguesa. Saramago maneja as palavras como se tivesse uma relação incestuosa com elas; num brilhantismo total, as palavras são suas filhas, são suas irmãs, suas servas, espada e corcel e por que não? suas doces amantes.. . Sara-Mago é, como diz seu nome, um curandeiro, um mágico que nos salva da monotonia, e da obscuridade, entrecruzando as palavras com maestria e nos proporcionando um prazer estético sem limites. Certamente meus leitores e leitoras sabem de seu livro "Ensaio sobre a Cegueira", que deu origem ao filme de mesmo nome dirigido pelo cineasta brasileiro Fernando Meirelles. Já "O Evangelho Segundo Jesus Cristo" lhe rendeu muitas polêmicas, principalmente com o Vaticano, que por ocasião do Nobel, fez sérias críticas pelo prêmio "ter sido concedido a um comunista..." Bom, o mágico esteve no Brasil semana passada, lançando seu novo livro e participando de um debate pelos 50 anos da Ilustrada , que vem a ser o caderno cultural da "Folha de S. Paulo. Com a clareza e inteligência de sempre, discorreu sobre a nossa má postura diante da vida. Afirmou, peremptoriamente, "que a humanidade não merece a vida, que a história é um desastre contínuo. Nunca houve nada que se parecesse com um momento de paz . Não usamos a razão para defender a vida; usamos a razão para destruí-la de todas as maneiras – no plano público e privado." E continua o escritor: Por que teria que mudar minha concepção de Deus após a doença? Porque supostamente me salvou a vida? Quem me salvou foram os médicos e a minha mulher. E Deus se esqueceu de Santa Catarina? Não quero ofender ninguém, mas Deus simplesmente não existe." E por aí afora foi o "encantador de palavras", numa palestra concorridíssima, cujo resumo li com veneração e respeito. Só que, data maxima venia, desculpando-me pela minha pequenez, pela minha ignorância, pois afinal não passo de aprendiz de escriba, jia–cururu espiando os grandes astros do Olimpo dos escritores, eu discordo de SARA-MAGO quanto a Deus ter se esquecido de Santa Catarina, ou da África, onde tantos morrem de fome, ou dos povos em eterno conflito no Oriente. Quem provocou a tragédia de Santa Catarina não foi o Criador e sim, o próprio homem. Para começar, a Defesa Civil de lá sequer tinha listadas as áreas passíveis de inundação. O solo argiloso, a declividade das encostas, os desmatamentos, as ocupações desordenadas, e outros que tais, ignorados pelas autoridades que só se movimentam (e às vezes com muita lentidão) depois das tragédias, deu no que deu: centenas de vidas preciosas perdidas. Ah, não venham culpar Deus por isso! Contudo, louve-se a solidariedade do nosso povo! O brasileiro, para nosso orgulho, tem a generosidade no coração! A propósito, as declarações do gênio das letras portuguesas trouxeram-me à memoria um fato de abril de 1961: o russo Yuri Gagarin, a bordo da nave Vostok I, realizou a incrível façanha de fazer a primeira volta completa em órbita ao redor da Terra. Declarou primeiro a frase que fez a delícia dos poetas "a Terra é azul." Depois, seguindo certamente as tendências ideológicas de seu governo, afirmou: "estive no céu e não vi Deus." Tal assertiva teve grande repercussão na época. Uns acharam ótimo, outros se indignaram, mas a melhor resposta foi dada por um religioso norte-americano, cujo nome não me lembro, em um artigo de famoso jornal: "Meu caro Gagarin: você declarou que esteve no céu e não viu Deus. Pois eu lhe digo que não viu porque não quis. Era só tirar o equipamento e dar um passo para fora da nave..." Pois é, louvando o saber, o brilhantismo, o domínio das letras, a inteligência de SARA-MAGO, a jia-cururu aqui torce para que ele possa conhecer Deus, ainda antes de sair da nave-Terra....
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VIVER E FESTEJAR!
Era uma manhã de sexta feira cinzenta. Que de repente ficou iluminada, com a presença de duas pessoas excepcionais: meu amigo Beto Souto e sua amada, Célia Garcia de Moraes. Traziam sorrisos, e ele nas mãos, uma linda orquídea. Era a flor pelo meu aniversário, que ele me oferece todos os anos. Ia me entregar no dia 31 de outubro, durante o evento literário que a professora Célia faz com seus alunos, no Colégio Assedipa, já em sua 6ª edição. E que neste ano homenageou poetas da região. Eu tive a felicidade de ser uma das escolhidas, apesar de ser uma poeta incipiente, e uma cronista que tecla e mal, umas croniquetas que são toleradas pelos meus leitores e leitoras. No entanto, tinha um outro compromisso literário, agendado previamente e não pude participar da linda festa. Depois, fiquei uns dias "de bode" por causa de ites e oses e eles deixaram para me entregar a flor quando pudessem me encontrar. Que bom, já dizia o poeta "todo dia é dia de viver". E de festejar. Além disso, recebi um dos meus poemas, Enigma, em forma de banner, feito pelos alunos da professora Célia. Fiquei grata e comovida. Beto, professor de História, já aposentado, um caráter excepcional, ama as rosas. Tem dezenas de roseiras no seu jardim. E ama Vinícius de Moraes. E ama sobretudo, a professora Célia, que corresponde ao seu amor, e também, ama Vinícius, a Língua Portuguesa, a Literatura, e o trabalho que faz, plantando beleza na mente de seus alunos. E eu tenho a maior alegria de conhecer s dois. E nada mais digo!
VIVER E FESTEJAR!
Era uma manhã de sexta feira cinzenta. Que de repente ficou iluminada, com a presença de duas pessoas excepcionais: meu amigo Beto Souto e sua amada, Célia Garcia de Moraes. Traziam sorrisos, e ele nas mãos, uma linda orquídea. Era a flor pelo meu aniversário, que ele me oferece todos os anos. Ia me entregar no dia 31 de outubro, durante o evento literário que a professora Célia faz com seus alunos, no Colégio Assedipa, já em sua 6ª edição. E que neste ano homenageou poetas da região. Eu tive a felicidade de ser uma das escolhidas, apesar de ser uma poeta incipiente, e uma cronista que tecla e mal, umas croniquetas que são toleradas pelos meus leitores e leitoras. No entanto, tinha um outro compromisso literário, agendado previamente e não pude participar da linda festa. Depois, fiquei uns dias "de bode" por causa de ites e oses e eles deixaram para me entregar a flor quando pudessem me encontrar. Que bom, já dizia o poeta "todo dia é dia de viver". E de festejar. Além disso, recebi um dos meus poemas, Enigma, em forma de banner, feito pelos alunos da professora Célia. Fiquei grata e comovida. Beto, professor de História, já aposentado, um caráter excepcional, ama as rosas. Tem dezenas de roseiras no seu jardim. E ama Vinícius de Moraes. E ama sobretudo, a professora Célia, que corresponde ao seu amor, e também, ama Vinícius, a Língua Portuguesa, a Literatura, e o trabalho que faz, plantando beleza na mente de seus alunos. E eu tenho a maior alegria de conhecer s dois. E nada mais digo!
POESIA SEMPRE
EU LUMINOSO NÃO SOU
(José Saramago)
Eu luminoso não sou. Nem sei que haja
Um poço mais remoto, e habitado
De cegas criaturas, de histórias e assombros.
Se, no fundo poço, que é o mundo
Secreto e intratável das águas interiores,
Uma roda de céu ondulando se alarga,
Digamos que é o mar: como o rápido canto
Ou apenas o eco, desenha no vazio irrespirável
O movimento de asas. O musgo é um silêncio,
E as cobras-d’água dobram rugas no céu,
Enquanto, devagar, as aves se recolhem.
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
POESIA SEMPRE
MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO foi um poeta português, amigo de Fernando Pessoa. Foi a Fernando que ele dirigiu sua última carta, antes do suícídio. Observe a beleza triste do poema onde o poeta parece preso à fatalidade. Ele"quase" alcança seu desejo, mas este está sempre além...
QUASE
Mário de Sá-Carneiro
Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num grande mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor! - quase vivido...
Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!
De tudo houve um começo ... e tudo errou...
- Ai a dor de ser - quase, dor sem fim...
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se enlaçou mas não voou...
Momentos de alma que, desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas que não fixei...
Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...
Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...
Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
QUASE
Mário de Sá-Carneiro
Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num grande mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor! - quase vivido...
Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!
De tudo houve um começo ... e tudo errou...
- Ai a dor de ser - quase, dor sem fim...
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se enlaçou mas não voou...
Momentos de alma que, desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas que não fixei...
Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...
Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...
Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
MANUEL DE BARROS, MEU POETA
Seis ou treze coisas que aprendi sozinho
Gravata de urubu não tem cor.
Fincando na sombra um prego ermo, ele nasce.
Luar em cima de casa exorta cachorro.
Em perna de mosca salobra as águas se cristalizam.
Besouros não ocupam asas para andar sobre fezes.
Poeta é um ente que lambe as palavras e depois se alucina.
No osso da fala dos loucos têm lírios.
Tem 4 teorias de árvore que eu conheço.
Primeira: que arbusto de monturo agüenta mais formiga.Segunda: que uma planta de borra produz frutos ardentes.Terceira: nas plantas que vingam por rachaduras lavra um poder mais lúbrico de antros.Quarta: que há nas árvores avulsas uma assimilação maior de horizontes.
Uma chuva é íntima
Se o homem a vê de uma parede umedecida de moscas;Se aparecem besouros nas folhagens;Se as lagartixas se fixam nos espelhos;Se as cigarras se perdem de amor pelas árvores;E o escuro se umedeça em nosso corpo.
Em passar sua vagínula sobre as pobres coisas do chão, a lesma deixa risquinhos líquidos...A lesma influi muito em meu desejo de gosmar sobre as palavras Neste coito com letras!Na áspera secura de uma pedra a lesma esfrega-seNa avidez de deserto que é a vida de uma pedra a lesmaescorre. . .Ela fode a pedra. Ela precisa desse deserto para viver.
Que a palavra parede não seja símbolo de obstáculos à liberdade nem de desejos reprimidos nem de proibições na infância,etc. (essas coisas que acham os reveladores de arcanos mentais)Não. Parede que me seduz é de tijolo, adobe preposto ao abdomen de uma casa.Eu tenho um gosto rasteiro de ir por reentrâncias baixar em rachaduras de paredes por frinchas, por gretas - com lascívia de hera. Sobre o tijolo ser um lábio cego.Tal um verme que iluminasse.
Seu França não presta pra nada -Só pra tocar violão.De beber água no chapéu as formigas já sabem quem ele é. Não presta pra nada.Mesmo que dizer:- Povo que gosta de resto de sopa é mosca.Disse que precisa de não ser ninguém toda vida.De ser o nada desenvolvido.E disse que o artista tem origem nesse ato suicida.
Lugar em que há decadência.Em que as casas começam a morrer e são habitadas por morcegos.Em que os capins lhes entram, aos homens, casas portas a dentro.Em que os capins lhes subam pernas acima, seres adentro.Luares encontrarão só pedras mendigos cachorros.Terrenos sitiados pelo abandono, apropriados à indigência.Onde os homens terão a força da indigência.E as ruínas darão frutos
(de "O guardador de águas")
Manoel de Barros, Velha guarda
1 comentários:
Nena de Castro - MACUNADRU disse...
Meu Manuel, nosso Manuel, "poeta é um ente que lambe as palavras" e depois alucina a gente de tanta beleza!Seus versos "me aleluiam" e me fazem pular festeira que nem jia no brejo em tarde de verão.Nena de Castro - MACUNADRU
6 de Outubro de 2008 12:07
Gravata de urubu não tem cor.
Fincando na sombra um prego ermo, ele nasce.
Luar em cima de casa exorta cachorro.
Em perna de mosca salobra as águas se cristalizam.
Besouros não ocupam asas para andar sobre fezes.
Poeta é um ente que lambe as palavras e depois se alucina.
No osso da fala dos loucos têm lírios.
Tem 4 teorias de árvore que eu conheço.
Primeira: que arbusto de monturo agüenta mais formiga.Segunda: que uma planta de borra produz frutos ardentes.Terceira: nas plantas que vingam por rachaduras lavra um poder mais lúbrico de antros.Quarta: que há nas árvores avulsas uma assimilação maior de horizontes.
Uma chuva é íntima
Se o homem a vê de uma parede umedecida de moscas;Se aparecem besouros nas folhagens;Se as lagartixas se fixam nos espelhos;Se as cigarras se perdem de amor pelas árvores;E o escuro se umedeça em nosso corpo.
Em passar sua vagínula sobre as pobres coisas do chão, a lesma deixa risquinhos líquidos...A lesma influi muito em meu desejo de gosmar sobre as palavras Neste coito com letras!Na áspera secura de uma pedra a lesma esfrega-seNa avidez de deserto que é a vida de uma pedra a lesmaescorre. . .Ela fode a pedra. Ela precisa desse deserto para viver.
Que a palavra parede não seja símbolo de obstáculos à liberdade nem de desejos reprimidos nem de proibições na infância,etc. (essas coisas que acham os reveladores de arcanos mentais)Não. Parede que me seduz é de tijolo, adobe preposto ao abdomen de uma casa.Eu tenho um gosto rasteiro de ir por reentrâncias baixar em rachaduras de paredes por frinchas, por gretas - com lascívia de hera. Sobre o tijolo ser um lábio cego.Tal um verme que iluminasse.
Seu França não presta pra nada -Só pra tocar violão.De beber água no chapéu as formigas já sabem quem ele é. Não presta pra nada.Mesmo que dizer:- Povo que gosta de resto de sopa é mosca.Disse que precisa de não ser ninguém toda vida.De ser o nada desenvolvido.E disse que o artista tem origem nesse ato suicida.
Lugar em que há decadência.Em que as casas começam a morrer e são habitadas por morcegos.Em que os capins lhes entram, aos homens, casas portas a dentro.Em que os capins lhes subam pernas acima, seres adentro.Luares encontrarão só pedras mendigos cachorros.Terrenos sitiados pelo abandono, apropriados à indigência.Onde os homens terão a força da indigência.E as ruínas darão frutos
(de "O guardador de águas")
Manoel de Barros, Velha guarda
1 comentários:
Nena de Castro - MACUNADRU disse...
Meu Manuel, nosso Manuel, "poeta é um ente que lambe as palavras" e depois alucina a gente de tanta beleza!Seus versos "me aleluiam" e me fazem pular festeira que nem jia no brejo em tarde de verão.Nena de Castro - MACUNADRU
6 de Outubro de 2008 12:07
E KUNTA KINTE FEZ SUA DANÇA TRIBAL
Nena de Castro
11/11/2008 -
Ao som dos tambores ancestrais, Kunta Kinte dança. Sorriso aberto, gritos de guerra e alegria, Kunta dança. Dança como dançam os homens da sua tribo, quando celebram as caçadas, os casamentos, os rituais de iniciação, as festas religiosas... O corpo do guerreiro Kunta Kinte ginga, sobe, desce, balança, enquanto empunha a lança e o escudo.
O jovem Kunta havia vencido o "kafo", o último grau de instrução pelo qual passavam todos os meninos de seu povo... Aprendera a tomar conta das crianças menores, que ficavam dentro de um cercado no centro da aldeia, junto com as avós; aprendera os segredos de pastorear as cabras e outros animais, sem deixá-los fugir; fora circuncidado; e por fim, seu pai lhe revelara os segredos da vida. Aprendera a caçar e, sobretudo, a ter orgulho de sua tribo, localizada na Gâmbia (África Ocidental), e a respeitar os anciãos, que davam a última palavra nos problemas de todos. O guerreiro que dança, sequer imagina que essa será sua última celebração como homem livre, e que no dia seguinte será capturado como um animal e atirado em um navio negreiro em direção à costa norte-americana. Que, ao lado de seus irmãos de raça, viraria caça, animal capturado, acorrentado, atirado em porões infectos. A viagem era um pesadelo sem fim, com os estupros, a fome, a chibata, as correntes... No desembarque, a venda, a separação dos entes queridos, o início do trabalho escravo nas fazendas de algodão. O jovem guerreiro, humilhado, judiado, tenta fugir: uma, duas, várias vezes, até que lhe cortam a machado a metade de um dos pés. A dor, o sangue, a ferida, e o arrastar-se para o trabalho, sem poder fugir de seu destino atroz. Forçado a aquietar-se, tratou de sobreviver sob o jugo branco. Sua companheira lhe deu filhos; vieram os netos, bisnetos e trinetos, um dos quais, jornalista e historiador, de nome Alex Hayley, levantou a sua história, publicando-a no livro "Negras Raízes". Seus descendentes cresceram em um país de brancos, onde tudo se destinava a estes; a abolição da escravatura deu origem a uma guerra civil, que quase seccionou a nação. Os negros eram considerados entes sem alma, embora a jovem nação americana se declarasse cristã. No entanto, a discriminação continuou. O norte-americano destinava aos negros o desprezo, o ódio racial, a separação de classes; até as privadas primitivas de beira de estrada, aquelas de fossa, nos rincões mais distantes, ostentavam o tenebroso cartaz: "white men only" - só para brancos -, como se as fezes dos homens brancos fossem mais nobres que as dos homens de pele escura. A luta foi muito grande. Milhares de negros enforcados ou queimados pela Ku Klux Klan e ignorados pela sociedade americana, escravocrata e "cristã". Transcorridos tantos anos, nesse início de novembro de 2008, Kunta Kinte dança novamente. Com ele dançam todos os negros, vivos e mortos, em alegria ancestral; soam tambores na noite dos tempos e comemoram juntos: Stokely Carmichael, Charlles Eddie Moore, Malcom X, a costureira Rosa Parks, que um dia se recusou a ceder seu assento a um branco no Alabama, e foi presa, Angela Davis, Martin Luther King, o reverendo Jesse Jackson, os artistas negros que nunca puderam se hospedar em hotel de brancos, e todos os escravos que morreram pela mão dos brancos nessa nação que se diz paradoxalmente, cristã. Kunta Kinte faz, feliz, a sua dança tribal. Um descendente seu, de cabelo pixaim e pele escura como a sua, foi eleito presidente dos Estados Unidos...
POESIA SEMPRE
FALA
(Orides Fontela)
Tudo
será difícil de dizer:
a palavra real
nunca é suave.
Tudo será duro:
luz impiedosa
excessiva vivência
consciência demais do ser.
Tudo será
capaz de ferir. Será
agressivamente real.
Tão real que nos despedaça.
Não há piedade nos signos
e nem no amor: o ser
é excessivamente lúcido
e a palavra é densa e nos fere.
(Toda palavra é crueldade).
ZOOM
►BOM DIA meu querido amigo Oswaldo Machado de Oliveira Junior, o Dinho, que lê esta coluna pela net, toda terça-feira, lá no Canadá, onde reside com a família. Beijos pra todos, e o carinho dessa escriba.
►Não sei se vocês leram o comentário que o chefe da Ku Klux Klan, o pastor Thomas Robb, fez sobre o pai de Barack Obama. Se não leram, não perderam nada, eita que mediocridade! E o cara se diz cristão, hein!
►Gente, que orgulho dos professores de Ipatinga: sem deixar de lutar por seus direitos, trabalham com garra e tenacidade. A cada dia, novos e interessantes projetos chegam ao conhecimento da Comunidade.
►Um alô especial para Idagmar Habib, uma das grandes damas do Lions Clube na região. Depois de viajar por um monte de locais lindos do Brasil, reassume seu trabalho na Câmara Municipal o jovem advogado Tiago de Castro.
►Hoje, o professor Sávio de Tarso vai fazer palestra para estudantes na sede da Biblioteca Zumbi dos Palmares. Boa pedida!
►Ai, chega de mortes, desastres, tragédias... Vamos relaxar, ler a Bíblia, ler poesia e, sobretudo, clamar pela misericórdia de Deus.
►Gemina Linhares, que bom foi te rever outro dia. Foi rápido, mas o abraço foi caloroso. Valeu.
►Abraços para as mestras Marlene Dornelas, Ane Ribeiro Penha Salazar e Maria Imaculada.
►Uma semana com gosto de macarronada com frango caipira, feita com o molho que só a mãe da gente sabe fazer, compota de caju, suco de tamarindo, versos de Orides Fontela e som de Martinho da Vila. Esperança, alegria , saúde e paaz, são os votos desta escriba.
►Críticas, sugestões e eventuais elogios, pelo e-mail: nenadecastro@yahoo.com.br.
terça-feira, 4 de novembro de 2008
NÃO FOI SÓ O DIA DAS BRUXAS...
04/11/2008 - (NENADECASTRO-MACUNADRU)
Luminosa manhã de sexta-feira. O sol brilhava, secando as poças que a tempestade da noite anterior deixara. Fora uma chuva forte, com ventos, e o ruído da janela batendo me acordou. Fiquei ali, sem me mover, apesar dos pingos que invadiam o quarto pela abertura da janela. Passei a mão pela borda da cama, molhada pela água que descia do céu e o vento impelia até onde eu estava. Veio-me à mente, uma outra noite de tempestade, há muito, muito tempo atrás, em que acordei com minha irmã Mariinha me chamando. Chovia a cântaros, eu dormia perto da janela, minha cama estava molhada pela água que descia da goteira, mas eu continuava dormindo o sono de uma criança de 7 anos. – "Acorda menina, tá tudo molhado, passe para cá" - disse ela, colocando meu travesseiro no canto de sua cama. Ajeitei-me feliz, dividindo a coberta com ela, creio que você já dormiu no cantinho da cama de seus pais, de um irmão, de sua madrinha. A sensação de calor, proteção, e amor penetram em seus poros, e você se sente protegida de todos os seus medos, tutu-marambá fica de longe, com inveja do amor que você recebe...
O sol prossegue em sua jornada, a manhã da cidade grande se consome em carros que passam, lotações cheias de pessoas que vão para o trabalho, coletores de material reciclável em seus carrinhos, crianças e jovens indo para a escola... Caminho, respirando fortemente o ar fresco da manhã. Onde estou há casas com jardins, e vejo um incrível arco verde de bambuzinho que separa a garagem da parte interior da casa. Vou para um auditório onde vai acontecer uma solenidade, poetas, escritores, pessoas que amam os livros, estou no meu elemento. À noite, vamos lanchar e procurei ficar sozinha por uns instantes, para agradecer a Deus por mais um ano de vida. As ruas quedavam-se quase silentes. Serenava e o céu deixava cair ouro e prata em partículas de luz. O calçamento iluminado acolhia meus passos, o ar rescendia a flores. E assim, cercada de magia e de beleza, vi elfos e sílfides dançando ao meu redor. Recordei a voz de Larissa dizendo "te amo, mãe!". E feliz, agradeci ao Criador por ter alcançado os meus 5.9. Voltei para os meus amigos que me aguardavam, e recebi os seus abraços...
UM MAL ENTENDIDO HISTÓRICO
Zuenir Ventura conta em seu livro "1968, O Ano Que não Acabou", que Ziraldo foi preso logo depois do AI-5 e colocado no "Maracanã", um amplo local no DOPS, no Rio de Janeiro, para a triagem. Logo ao chegar, foi abordado por um rapaz que queria saber "a linha do companheiro". Existia na época, entre as esquerdas, uma diferença de pensamento: o pessoal do PCB, o Partidão, defendia a moderação e a revolução a partir da conscientização dos operários, e através deles, do povo; eram os reformistas. Já o pessoal dos movimentos estudantis, defendia a ação, a luta armada, eram os radicais, os revolucionários. As discussões eram intermináveis e Ziraldo, querendo evitar um bate-boca ali no DOPS, respondeu:
- Eu não pertenço a linha nenhuma, sou um democrata e não quero discussão!
O rapaz não entendeu. Entre as dezenas de presos naquele dia - bicheiros, jornalistas, intelectuais, - chegara uma leva de motoristas de ônibus apanhados em uma blitz policial. A filha de um general havia sido destratada por um deles em um ônibus e o pai determinara à polícia que saísse prendendo todos, para que a moça pudesse reconhecer o agressor.
- Calma, companheiro, disse o rapaz, eu só queria saber qual é a sua linha de ônibus! Ziraldo percebeu, então, que sua camisa cáqui, com presilha nos ombros, era igual ao uniforme dos motoristas...
POESIA SEMPRE.
É ELA, É ELA, É ELA, É ELA!
(Segunda parte da Lira dos Vinte Anos)
ÁLVARES DE AZEVEDO
"É ela, é ela! – murmurei tremendo,
E o eco ao longe murmurou – é ela!
Eu a vi... minha fada aérea e pura –
A minha lavadeira na janela!
Dessas águas – furtadas onde eu moro
Eu a vejo estendendo no telhado
Os vestidos de chita, as saias brancas;
Eu a vejo e suspiro enamorado!"
ZOOM
►BOM DIA, grande Célia Brito, professora de Português do Colégio Assedipa. Assisti ao ensaio do seu VI Festival de Poesia e Música - Uma Homenagem à Mulher - a que não compareci por ter viajado. Vi a alegria, o entusiasmo, dos alunos do curso Médio, tocando violão, cantando canções de Vinícius, declamando poesias de poetas nacionais e de poetas ipatinguenses. Coisa mais linda! Obrigada pela homenagem prestada a mim, a Marília Lacerda e Dona Chammes. Que projeto magnífico! Por estas e por outras é que me orgulho de ser professora. Parabéns a todos, alunos, Colégio e à mestra Célia que, aliando coragem paciência e garra, tem mostrado aos seus alunos o caminho da beleza!
►Um abraço para a estudante de Direito Camila Carvalho Assis, que presta serviço no Juizado Especial. Viajamos juntas e descobrimos, além do Direito, uma outra paixão: a professora Maria Emília Souza, que ministra Direito Civil na FADIPA, e é uma grande amiga desde o tempo em que foi minha estagiária na Defensoria Pública Municipal. Querida Emília, eu disse à Camila, que se ela seguir os seus passos, vai ser uma grande profissional! Pessoal, obrigada pelas flores, e pelos votos pelo meu aniversário no dia 31. A querida amiga Maria do Rosário Machado me enviou uma cesta de café da manhã que foi uma festa! Merci!
►Procurem ler na revista Veja desta semana, a reportagem sobre outros remédios que fazem mal e foram proibidos por provocarem doenças, ao invés de ajudar os usuários. Tá complicado e todo cuidado é pouco!
►Um abraço para a psicóloga Valéria Imaculada Andrade,que faz seu trabalho aliando a Arte aos cânones da Psicologia. Comuniquem-se com ela através do valériaarteterapia@hotmail.com
►Abraços também para as professoras Dalmácia Ramos e Maria Aparecida Ferreira, Cibele Lage e Mayza Domingues Castro.
►Um dia cheio de luz, carinho dos amigos, esperança infinda, emoção e alegria, com os versos de Carlos Drummond de Andrade e o samba de Dudu Nobre. Aquele mingau de couve com pedaços de lombo frito, à moda da roça, doce de cidra para acompanhar, sorrisos de crianças em harmonia com a vida, e a indispensável paaz, são os meus votos. ►Críticas, sugestões e eventuais elogios, pelo e-mail: nenadecastro@yahoo.com.br. Au Revoir.
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
SABIÁ LÁ NO JARDIM...

21/10/2008 - (Nena de Castro-MACUNADRU).
Novamente acordo no sábado, com a velha inimiga, a enxaqueca, se manifestando. O mundo explode em dor pulsante, náuseas e fobia quanto à luz. Saio lá fora para pegar o jornal, protegendo os olhos com a mão. Kid abana o rabinho, amoroso como sempre, e minha sabiá de plantão, a Gertrud, cisca no meio dos farelos de pão que o dono da casa coloca perto da água, toda manhã. Uma rolinha lhe faz companhia, e Gertrud reclama com ela o fato de que a proibi de fazer o ninho no meu vaso de samambaia, na varanda. Certa feita, outra sabiá lá se aninhou, e nós não tivemos coragem de expulsá-la. Ficamos vendo nossa planta morrer de sede enquanto a ave chocava seus ovinhos. No final, a samambaia morreu, mas dois lindos filhotes nasceram e cuidamos deles, colocando-os em gaiola, onde a mãe os alimentava. Quando estavam fortes para voar, abrimos a gaiola, fizemos o bota-fora e depois fomos cuidar de replantar a samambaia. Gertrud, minha velha inquilina, que não paga aluguel, pára de ciscar por um momento e me diz: - "Sábado de sol, dia lindo, pode me explicar por que os jovens estão morrendo e matando em vez de irem praticar esportes, namorar, cantar e viver? O que vocês estão fazendo com seus filhos, ou pior, permitindo que outros façam, que os deixam tão desesperados? Tão desesperançados? Tão infelizes?" - Ai, Gertrud, quisera saber - respondo. A moçada, na fase mais linda de sua vida, está aí, se matando, se drogando, jovens esmagados sob tanta informação sem formação, vítimas de um sistema inoperante, vivendo em um mundo desordenado e sem valores. Não diga que culpo o sistema por tudo, mas é preciso que o governo desenvolva uma política mais abrangente e atraente para a juventude. Só a escola não basta, é preciso centros de atenção à família, locais onde os jovens possam se divertir, discutir seus anseios e, principalmente, encontrar quem os ouça, sem julgar, sem condenar, aceitando o turbilhão de sentimentos que os acompanham. Aí, tragédias como a de Santo André e tantas outras não mais existirão.
- "Vá sonhando, consertadora do mundo, vá sonhando!" – diz Gertrud, enquanto bate as asas e alça vôo para não sei onde.
Espantada, resolvo voltar para a cama, enquanto penso com quem será que minha sabiá aprendeu a ser irônica...
CHAME O LADRÃO!
Esta semana, veio à minha mente o refrão da canção do Chico Buarque, ao ver as polícias civil e militar se enfrentando em distúrbios de rua em São Paulo. Serra diz que a greve é manobra eleitoreira, os policiais civis se defendem invocando o direito de lutar por melhores salários. Enquanto "os home" brigam entre si, Lady Zeferina acha graça, pensando que estão provando um pouquinho do "remédio" que sempre aplicaram em grevistas e estudantes, principalmente na época dos anos de chumbo. Outro episódio infeliz foi o desastre da operação-resgate em Santo André. Até eu, que nada entendo de operações policiais, sei que o primordial é retirar os reféns de perto do seqüestrador, vivos, se possível. Agora, mandar de volta para a toca da onça uma menina inocente, faça-me o favor... No entanto, o erro de uma operação desastrosa não deve apagar as vitórias alcançadas. Observo que ser policial é uma das profissões mais ingratas do mundo. A sociedade, que precisa dos policiais, também os despreza. O governo sempre os tratou com descaso, descaso este estendido aos professores. Conviver diuturnamente com o perigo, a tensão, as cobranças, ter de cuidar da família, com um salário nem sempre à altura, tudo isto pesa, e muito. Não se trata, portanto, de só propor aumento de salário e fornecer equipamentos modernos. É preciso assistência integral, melhoria dos cursos de formação, plano de carreira, prêmios, oportunidade de estudar e se desenvolver como todo ser humano precisa para ser feliz. Aí, ninguém mais vai cantar, "chame o ladrão, chame o ladrão".
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►Bom dia, minha flor do campo, querida poeta Dona Bizuca! Devemos à senhora o poema que deu origem ao Hino de Ipatinga! Que Deus a cubra de bênçãos junto aos seus queridos!
►Sei não, mas a notícia veiculada por jornal de São Paulo, dando conta de um grupo, sob a liderança do pastor Inereu Lopes, que vendeu bens e abandonou famílias para viver numa comunidade em Ecoporanga/ES, aguardando o fim do mundo, sem se misturar com os pecadores, não tá me cheirando bem. É o caso de a PF fazer uma investigação séria, antes que...
►Um abraço para Manoel Roberto Souto e a professora Célia, do Colégio Assedipa. O amor é lindo mesmo, não é?
►Outro abraço, agora para as meninas do Sind-UTE, Feliciana Saldanha, Reny Batista e toda aquela turma animada que prepara com carinho mais uma edição da Confraternização pelo Dia do Professor.
►Respondo à consulta de minha leitora Iva Maria, do Cariru, via e-mail: sua pergunta procede, cara leitora: estadia, que muitos usam para determinar o tempo que passam em algum lugar, refere-se ao prazo concedido para carga e descarga do navio no porto. Já para determinar o tempo em que pessoas permanecem em um local, o correto é estada. Em caso de dúvida (e quem nunca as teve?), consulte o "Tio Orélio", pai dos inteligentes. E quanto à famosa frase "uma rosa é uma rosa, é uma rosa, é uma rosa", a mesma é de autoria da americana Gertrud Stein. Já o autor de "O Nome da Rosa", é o italiano Umberto Eco. O livro retrata a investigação de um crime um monastério na Idade Média; virou filme, com Sean Connery no papel principal. Z Abraços para Gilda de Sá e Andréa Coelho, alunas de Pedagogia da Faculdade Pitágoras, que trabalharam no III Salão do Livro...
►Um dia cheio de borboletas coloridas voando pelo espaço, céu azul e sol, água de cachoeira caindo na cabeça, bem fria e relaxante. Som de João Gilberto, poemas de Antônio Gedeão, aquela mandioca frita com torresmo (tudo ligth, xô colesterol!) suco de graviola, amor, alegria e paaz, são os meus votos. Au revoir.
Novamente acordo no sábado, com a velha inimiga, a enxaqueca, se manifestando. O mundo explode em dor pulsante, náuseas e fobia quanto à luz. Saio lá fora para pegar o jornal, protegendo os olhos com a mão. Kid abana o rabinho, amoroso como sempre, e minha sabiá de plantão, a Gertrud, cisca no meio dos farelos de pão que o dono da casa coloca perto da água, toda manhã. Uma rolinha lhe faz companhia, e Gertrud reclama com ela o fato de que a proibi de fazer o ninho no meu vaso de samambaia, na varanda. Certa feita, outra sabiá lá se aninhou, e nós não tivemos coragem de expulsá-la. Ficamos vendo nossa planta morrer de sede enquanto a ave chocava seus ovinhos. No final, a samambaia morreu, mas dois lindos filhotes nasceram e cuidamos deles, colocando-os em gaiola, onde a mãe os alimentava. Quando estavam fortes para voar, abrimos a gaiola, fizemos o bota-fora e depois fomos cuidar de replantar a samambaia. Gertrud, minha velha inquilina, que não paga aluguel, pára de ciscar por um momento e me diz: - "Sábado de sol, dia lindo, pode me explicar por que os jovens estão morrendo e matando em vez de irem praticar esportes, namorar, cantar e viver? O que vocês estão fazendo com seus filhos, ou pior, permitindo que outros façam, que os deixam tão desesperados? Tão desesperançados? Tão infelizes?" - Ai, Gertrud, quisera saber - respondo. A moçada, na fase mais linda de sua vida, está aí, se matando, se drogando, jovens esmagados sob tanta informação sem formação, vítimas de um sistema inoperante, vivendo em um mundo desordenado e sem valores. Não diga que culpo o sistema por tudo, mas é preciso que o governo desenvolva uma política mais abrangente e atraente para a juventude. Só a escola não basta, é preciso centros de atenção à família, locais onde os jovens possam se divertir, discutir seus anseios e, principalmente, encontrar quem os ouça, sem julgar, sem condenar, aceitando o turbilhão de sentimentos que os acompanham. Aí, tragédias como a de Santo André e tantas outras não mais existirão.
- "Vá sonhando, consertadora do mundo, vá sonhando!" – diz Gertrud, enquanto bate as asas e alça vôo para não sei onde.
Espantada, resolvo voltar para a cama, enquanto penso com quem será que minha sabiá aprendeu a ser irônica...
CHAME O LADRÃO!
Esta semana, veio à minha mente o refrão da canção do Chico Buarque, ao ver as polícias civil e militar se enfrentando em distúrbios de rua em São Paulo. Serra diz que a greve é manobra eleitoreira, os policiais civis se defendem invocando o direito de lutar por melhores salários. Enquanto "os home" brigam entre si, Lady Zeferina acha graça, pensando que estão provando um pouquinho do "remédio" que sempre aplicaram em grevistas e estudantes, principalmente na época dos anos de chumbo. Outro episódio infeliz foi o desastre da operação-resgate em Santo André. Até eu, que nada entendo de operações policiais, sei que o primordial é retirar os reféns de perto do seqüestrador, vivos, se possível. Agora, mandar de volta para a toca da onça uma menina inocente, faça-me o favor... No entanto, o erro de uma operação desastrosa não deve apagar as vitórias alcançadas. Observo que ser policial é uma das profissões mais ingratas do mundo. A sociedade, que precisa dos policiais, também os despreza. O governo sempre os tratou com descaso, descaso este estendido aos professores. Conviver diuturnamente com o perigo, a tensão, as cobranças, ter de cuidar da família, com um salário nem sempre à altura, tudo isto pesa, e muito. Não se trata, portanto, de só propor aumento de salário e fornecer equipamentos modernos. É preciso assistência integral, melhoria dos cursos de formação, plano de carreira, prêmios, oportunidade de estudar e se desenvolver como todo ser humano precisa para ser feliz. Aí, ninguém mais vai cantar, "chame o ladrão, chame o ladrão".
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►Bom dia, minha flor do campo, querida poeta Dona Bizuca! Devemos à senhora o poema que deu origem ao Hino de Ipatinga! Que Deus a cubra de bênçãos junto aos seus queridos!
►Sei não, mas a notícia veiculada por jornal de São Paulo, dando conta de um grupo, sob a liderança do pastor Inereu Lopes, que vendeu bens e abandonou famílias para viver numa comunidade em Ecoporanga/ES, aguardando o fim do mundo, sem se misturar com os pecadores, não tá me cheirando bem. É o caso de a PF fazer uma investigação séria, antes que...
►Um abraço para Manoel Roberto Souto e a professora Célia, do Colégio Assedipa. O amor é lindo mesmo, não é?
►Outro abraço, agora para as meninas do Sind-UTE, Feliciana Saldanha, Reny Batista e toda aquela turma animada que prepara com carinho mais uma edição da Confraternização pelo Dia do Professor.
►Respondo à consulta de minha leitora Iva Maria, do Cariru, via e-mail: sua pergunta procede, cara leitora: estadia, que muitos usam para determinar o tempo que passam em algum lugar, refere-se ao prazo concedido para carga e descarga do navio no porto. Já para determinar o tempo em que pessoas permanecem em um local, o correto é estada. Em caso de dúvida (e quem nunca as teve?), consulte o "Tio Orélio", pai dos inteligentes. E quanto à famosa frase "uma rosa é uma rosa, é uma rosa, é uma rosa", a mesma é de autoria da americana Gertrud Stein. Já o autor de "O Nome da Rosa", é o italiano Umberto Eco. O livro retrata a investigação de um crime um monastério na Idade Média; virou filme, com Sean Connery no papel principal. Z Abraços para Gilda de Sá e Andréa Coelho, alunas de Pedagogia da Faculdade Pitágoras, que trabalharam no III Salão do Livro...
►Um dia cheio de borboletas coloridas voando pelo espaço, céu azul e sol, água de cachoeira caindo na cabeça, bem fria e relaxante. Som de João Gilberto, poemas de Antônio Gedeão, aquela mandioca frita com torresmo (tudo ligth, xô colesterol!) suco de graviola, amor, alegria e paaz, são os meus votos. Au revoir.
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